A tarde na empresa tinha um ritmo lento e entediante, o que era quase um alívio.
Depois do turbilhão do encontro com Rafael, qualquer coisa normal parecia surreal. Eu estava na sala de descanso, pegando um café, quando Gael e Sara entraram.
— Nossa, você sumiu de novo, Lorena? — Sara perguntou, pegando um copinho. — Tá tudo bem?
— Tudo sim, obrigada. Só precisei resolver uns assuntos pessoais — respondi, tentando soar vaga o suficiente.
— E o Rafael? — Gael cutucou, com aquela curiosidade natural dele. — Você viu ele hoje? Ele some e aparece que nem fantasma.
Meu coração deu um pequeno salto.
"Você viu ele hoje?" Se eles soubessem…
Eu balancei a cabeça, tentando parecer só levemente preocupada, não desesperada.
— Não vi não. Ele nem passou por aqui, pelo que sei.
Sara suspirou, cruzando os braços.
— É estranho, né? Ele mal aparece. E quando aparece, fica pouco tempo. Você acha que tem algo acontecendo que a gente não tá sabendo?
A pergunta dela me atingiu como uma agulha. *Se ela soubesse.* Mantive a expressão neutra.
— Não sei, Sara. Ele tem os projetos dele fora da empresa também. Mas é… estranho, concordo.
— Mandei mensagem pra ele hoje cedo, sobre o relatório do Tavares — Gael falou, mexendo no celular. — Nem visualizou. Tá muito esquisito.
Eu só pude suspirar, concordando. A preocupação deles era genuína, e isso só aumentava meu medo. Se notavam a ausência dele, quem mais notaria?
Foi nesse momento que a porta do corredor se abriu com um golpe mais firme do que o normal, e ele apareceu. Rafael.
Meu corpo todo reagiu antes que meu cérebro pudesse processar. Um choque quente de alívio, desejo e surpresa percorreu-me.
Ele estava de pé na entrada da sala de descanso, um pouco desarrumado, mas com aquele ar de determinação que eu conhecia.
— Lorena, te achei — a voz dele era normal, profissional, mas seus olhos passaram por mim com uma intensidade que só eu podia perceber.
— Estava me procurando? — respondi, levantando-me rápido demais, quase derrubando o café.
— Sim, só vim deixar esses documentos urgentes com você. Preciso que dê uma olhada — ele disse, entrando e colocando uma pasta marrom grossa em minhas mãos.
Seus dedos roçaram nos meus por uma fração de segundo, um toque elétrico e secreto.
— Claro. Obrigada.
Sara não se conteve. — Rafael, você some e aparece! mal chegou e já vai sair de novo?
Ele se virou para ela, com um sorriso cansado, mas convincente.
— É, Sara. Tô resolvendo uns trâmites importantes. Coisas que vão ser muito boas pra empresa. Só vou poder dar detalhes quando tudo estiver finalizado. Prometo.
Sara murmurou algo como "espero que seja um aumento", meio chateada, e virou para a máquina de café.
Gael, no entanto, ficou quieto, apenas observando.
O olhar dele passou de Rafael para mim, e para a pasta na minha mão, com uma curiosidade silenciosa que me deixou nervosa.
— Bom, é isso. Até mais, gente — Rafael disse, dando um aceno geral e saindo da sala com a mesma rapidez com que entrou.
O ar parecia ter voltado a circular quando ele saiu. Sara resmungou mais alguma coisa e saiu atrás dele, provavelmente para tentar pegar mais informações.
Gael ficou parado, tomando o café dele.
— Que documentos são esses, Lorena? — ele perguntou, casualmente. — Tão grossos. Algo grande?
O nervosismo apertou meu estômago. O que eu ia dizer? Não podia dizer que era nada, era claramente uma pasta cheia. Minha mente girou.
— Ah, é… uns contratos antigos que ele quer digitalizar e algumas cláusulas que precisam ser modificadas por causa de uma nova legislação — inventei na hora, tentando soar enfadada com a burocracia. — Mais um trabalho de scanner e revisão chata.
Gael me olhou por mais um segundo, e então um sorriso entendido apareceu em seu rosto.
Era um sorriso que dizia "tá bom, eu não vou fuçar". Ele deu de ombros.
— Boa sorte com isso. Vou voltar pro meu cubículo.
Quando ele finalmente saiu, soltei o ar que estava prendendo em um longo e trêmulo suspiro.
Minhas mãos estavam frias.
Levei a pasta até minha sala, fechei a porta e me sentei na cadeira, com o coração batendo forte.
Coloquei a pasta na mesa e a abri. Por cima, de fato, havia uma pilha de documentos antigos da empresa e contratos de fornecedores.
Um disfarce perfeito, mas quando folheei um pouco, encontrei uma folha solta, dobrada ao meio.
Abri-a com cuidado.
Era a letra dele…
"Amanhã. Não se preocupe com malas. Mantenha você e a Alana prontas e tragam apenas o essencial, como seus documentos. Confie na Glayce. Logo estarei aí."
Não havia assinatura, mas não precisava. O alívio foi tão intenso que me fez inclinar para frente na cadeira, segurando a folha de papel contra o peito.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...