— Acordou há pouco. Tomou um pouco de mingau e os remédios. Agora tá descansando de novo. A Alana tá dormindo ao lado dela. Tá tudo sob controle por aqui.
O alívio foi pequeno, mas real. Pelo menos ela estava viva e sendo cuidada.
— Me mantém informado de qualquer mudança, por mínimo que seja.
— Pode deixar.
Tentei mergulhar no trabalho de novo, abrir o laptop, olhar os e-mails.
Mas as palavras não faziam sentido. Minha mente estava no esconderijo, com ela ferida. No prédio-fortaleza, com a Joyce apavorada.
Na reunião que eu teria mais tarde, que poderia trazer mais problemas. E, no centro de tudo, a imagem do Thales, o causador de todo aquele caos.
Focar era impossível já que eu estava apenas esperando a próxima explosão, a notícia, e a chance de finalmente poder agir, em vez de só reagir.
***
(Visão de Lorena)
A luz da manhã filtrou pelas frestas das cortinas grossas, iluminando o pó no ar e o rosto sereno da Alana dormindo ao meu lado.
Ela estava de conchinha, com um braço jogado sobre a minha cintura com cuidado, como se soubesse, mesmo no sono, que eu estava machucada.
Ver ela assim, segura, era o único antídoto contra o pesadelo que se repetia atrás das minhas pálpebras fechadas. Suspirei, vendo as imagens dos socos, o gosto do sangue, o rosto desfigurado de ódio do Thales, o grito da Alana…
Um gemido baixo escapou quando tentei me virar um pouco na cama.
Tudo doía.
As costelas davam umas pontadas fortes a cada respiração, meu rosto latejava, e a mão queimada pulsava sob as ataduras limpas que o médico tinha colocado.
A porta do quarto se abriu suavemente e Glayce, com seu andar silencioso e sua expressão que nunca era totalmente suave, entrou. Ela segurava um copo de água e os comprimidos brancos numa pequena tampa de plástico.
— Que bom que acordou… está na hora do seu remédio — disse, entregando-os para mim. — Como está se sentindo?
Peguei os remédios com a mão boa e engoli, tomando com um gole de água que parecia o néctar mais doce do mundo na minha garganta seca.
— Um pouco melhor — menti, porque era a resposta que ela queria ouvir. — Mas ainda doi tudo.
Ela olhou para a Alana, depois voltou para mim, com seus olhos escaneando meus ferimentos com uma avaliação prática.
— O importante é que você tá viva e livre. Ele não te pega mais.
Livre.
A palavra soou estranha, irreal. Eu estava em um quarto desconhecido, machucada, escondida. Mas… sim. Ele não estava aqui. Aquele alívio era profundo, mesmo com a dor.
— E a Joyce? — a pergunta saiu num sussurro, carregada de culpa. — Ele vai fazer algo com ela. Eu sei que vai.
Glayce sentou na beira da cama, o colchão cedendo levemente.
— Ele ainda não fez e se tiver um pingo de cérebro naquela cabeça podre, não vai fazer agora. Ele acha que ainda tem como te controlar através dela. Que se ameaçar a refém, você volta correndo.
Ela fez uma pausa.
— O que ele não sabe é que seu irmão e o Rafael já estão com um pé dentro do lugar onde ela tá. Eles vão resolver, Lorena. Deixa os homens fazerem o trabalho deles.
Eu passei a mão no rosto, um movimento que fez meus músculos faciais protestarem em dor.
— Eu só quero paz, Glayce. Só quero que essa loucura acabe. Eu não aguento mais viver com medo, achando que a qualquer momento…
A ideia era nova e poderosa, eu tinha perdido tantas pessoas. Ter alguém como ela ao meu lado… era um presente inesperado no meio do inferno.
— Meus pais… — lembrei de repente, com uma nova onda de ansiedade tomando conta de mim. — O Thales pode ir atrás deles. Para me forçar…
— Seu irmão já cuidou disso. Tem policiais de confiança do Eduardo fazendo a segurança da casa deles 24 horas. Eles tão seguros, pode respirar.
Respirei fundo, e desta vez, a dor nas costelas veio junto com um verdadeiro suspiro de alívio. Pelo menos eles estavam protegidos.
Fiquei em silêncio por um momento, olhando para a arma ainda na cama. Então, levantei os olhos para a Glayce.
— E o… o Rafael? Ele… ele tá bem?
A expressão dela suavizou um pouco mais.
— Ele ligou hoje cedo, querendo saber de você. A vontade dele é vir voando pra cá, você pode ter certeza. Mas o Thales não é burro. Provavelmente colocou gente vigiando ele, e o seu irmão também. Se ele se mover agora, pode trazer o perigo direto pra sua porta. Ele tá fazendo o certo, ficando parado. Por enquanto.
Eu apenas acenei, sentindo uma mistura de saudade e alívio. Eu queria vê-lo, precisava sentir seus braços em volta de mim, me dizendo que estava tudo bem.
Mas a Glayce estava certa. Ele tinha que ficar longe, por nossa segurança.
Ela se levantou.
— Descansa. Eu tô fora da porta. Qualquer coisa, é só chamar.
Saiu, fechando a porta sem fazer barulho.
Fiquei sozinha novamente, com a Alana dormindo e o peso frio da arma sob o meu travesseiro.
Não era a paz que eu sonhava, mas tinha segurança e proteção. E pela primeira vez em muito, muito tempo, eu acreditava que, talvez, o fim do inferno estivesse realmente próximo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....