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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 439

— Acordou há pouco. Tomou um pouco de mingau e os remédios. Agora tá descansando de novo. A Alana tá dormindo ao lado dela. Tá tudo sob controle por aqui.

O alívio foi pequeno, mas real. Pelo menos ela estava viva e sendo cuidada.

— Me mantém informado de qualquer mudança, por mínimo que seja.

— Pode deixar.

Tentei mergulhar no trabalho de novo, abrir o laptop, olhar os e-mails.

Mas as palavras não faziam sentido. Minha mente estava no esconderijo, com ela ferida. No prédio-fortaleza, com a Joyce apavorada.

Na reunião que eu teria mais tarde, que poderia trazer mais problemas. E, no centro de tudo, a imagem do Thales, o causador de todo aquele caos.

Focar era impossível já que eu estava apenas esperando a próxima explosão, a notícia, e a chance de finalmente poder agir, em vez de só reagir.

***

(Visão de Lorena)

A luz da manhã filtrou pelas frestas das cortinas grossas, iluminando o pó no ar e o rosto sereno da Alana dormindo ao meu lado.

Ela estava de conchinha, com um braço jogado sobre a minha cintura com cuidado, como se soubesse, mesmo no sono, que eu estava machucada.

Ver ela assim, segura, era o único antídoto contra o pesadelo que se repetia atrás das minhas pálpebras fechadas. Suspirei, vendo as imagens dos socos, o gosto do sangue, o rosto desfigurado de ódio do Thales, o grito da Alana…

Um gemido baixo escapou quando tentei me virar um pouco na cama.

Tudo doía.

As costelas davam umas pontadas fortes a cada respiração, meu rosto latejava, e a mão queimada pulsava sob as ataduras limpas que o médico tinha colocado.

A porta do quarto se abriu suavemente e Glayce, com seu andar silencioso e sua expressão que nunca era totalmente suave, entrou. Ela segurava um copo de água e os comprimidos brancos numa pequena tampa de plástico.

— Que bom que acordou… está na hora do seu remédio — disse, entregando-os para mim. — Como está se sentindo?

Peguei os remédios com a mão boa e engoli, tomando com um gole de água que parecia o néctar mais doce do mundo na minha garganta seca.

— Um pouco melhor — menti, porque era a resposta que ela queria ouvir. — Mas ainda doi tudo.

Ela olhou para a Alana, depois voltou para mim, com seus olhos escaneando meus ferimentos com uma avaliação prática.

— O importante é que você tá viva e livre. Ele não te pega mais.

Livre.

A palavra soou estranha, irreal. Eu estava em um quarto desconhecido, machucada, escondida. Mas… sim. Ele não estava aqui. Aquele alívio era profundo, mesmo com a dor.

— E a Joyce? — a pergunta saiu num sussurro, carregada de culpa. — Ele vai fazer algo com ela. Eu sei que vai.

Glayce sentou na beira da cama, o colchão cedendo levemente.

— Ele ainda não fez e se tiver um pingo de cérebro naquela cabeça podre, não vai fazer agora. Ele acha que ainda tem como te controlar através dela. Que se ameaçar a refém, você volta correndo.

Ela fez uma pausa.

— O que ele não sabe é que seu irmão e o Rafael já estão com um pé dentro do lugar onde ela tá. Eles vão resolver, Lorena. Deixa os homens fazerem o trabalho deles.

Eu passei a mão no rosto, um movimento que fez meus músculos faciais protestarem em dor.

— Eu só quero paz, Glayce. Só quero que essa loucura acabe. Eu não aguento mais viver com medo, achando que a qualquer momento…

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