A ansiedade era um animal vivo, roendo minhas entranhas.
Cada minuto que passava era uma tortura. Estava sentada na cama, tentando me concentrar em Alana, que havia se aconchegado ao meu lado, exausta do estresse e finalmente adormecido.
Mas meus ouvidos estavam sintonizados em qualquer som vindo da sala, no sussurro baixo de Rafael ao telefone, o andar inquieto da Glayce.
Cada silêncio dele era pior do que uma notícia ruim, porque significava que ele ainda não sabia de nada.
Meus dedos traçavam círculos nas costas da Alana, mas minha mente estava num estacionamento escuro, imaginando a Joyce aterrorizada, imaginando tiros e o pior.
A facada que eu dei no Thales parecia um gesto pequeno e inútil agora. Ele ainda estava por aí e ele tinha ela.
Rafael entrou no quarto.
A expressão no rosto dele foi como um soco no estômago. Ele tentou disfarçar, forçando um aceno de cabeça calmo, mas seus olhos… estavam escuros, carregados de uma tensão que ele não conseguia esconder.
Ele olhou para Alana, dormindo, e depois para mim.
Meu corpo inteiro se contraiu e me esforcei ao máximo para não acordá-la.
— Rafael… — minha voz saiu num fio de som.
— O Eduardo está com ela — ele disse, direto ao ponto, sua voz era um murmúrio rouco. — Ele conseguiu chegar até a Joyce.
O ar que eu não sabia que estava prendendo saiu dos meus pulmões em um longo, trêmulo suspiro de alívio.
Ela está com o Eduardo e segura.
Mas o alívio durou um segundo. Porque o rosto de Rafael não relaxou.
Não havia alívio ali, só uma preocupação ainda mais profunda.
— O que aconteceu? — perguntei, as palavras saindo mais rápido e agudas. — Rafael, fala. Onde ela tá? Como ela tá?
Ele se aproximou da cama, seus olhos evitando os meus por um instante.
Ele estava tentando achar as palavras. Cada segundo de hesitação dele era uma agulha no meu peito.
— Eles… eles estão a caminho do hospital — ele finalmente disse, sentando-se na beirada da cama, sua mão encontrando a minha, que estava fria e trêmula. — Ela… a Joyce levou um tiro, Lorena. Nas costas.
As palavras não fizeram sentido por um momento.
Um tiro. Nas costas.
Elas ecoaram na minha cabeça, vazias. E então o significado se encaixou, com um impacto físico que me fez dobrar para frente.
Um gemido abafado escapou dos meus lábios.
— Não… meu Deus, não…
Alana se mexeu no meu colo, seu sono leve quebrado pelo tremor do meu corpo. Ela abriu os olhos, confusa e assustada.
— Mamãe? O que foi?
Tentei me recompor, engolindo o choro que ameaçava explodir. Limpei os olhos rapidamente com as costas da mão.
— Não é nada, meu amor. Tá tudo bem. — A mentira saiu pastosa e óbvia. — A mamãe só precisa falar com o Rafael um pouquinho. Você pode ir com a tia Glayce? Só por um minutinho.
— Não quero — ela protestou, agarrando-se ao meu pijama, seu olhar desconfiado indo de mim para Rafael.
— A culpa não é sua. A culpa é inteiramente daquele desgraçado do Thales. Ele que é o monstro. Ele fez as escolhas dele. Ele que a sequestrou ela e atirou nela. Você ouviu? Ele atirou nela. Você lutou pra se proteger e para proteger a Alana. A Joyce… a Joyce era uma peça no jogo doentio dele. A culpa é dele. Só dele.
As palavras dele eram duras, mas verdadeiras.
Elas não tiraram a dor, mas começaram a afastar um pouco da névoa de culpa que tentava me engolir.
— E ele? — a pergunta saiu com um rancor que eu nem sabia que tinha. — O que aconteceu com aquele desgraçado? O Eduardo…pegou ele também?
O rosto de Rafael se contraiu.
Vi os músculos da sua mandíbula se tensionarem. Ele soltou-me e fechou os punhos, olhando para as próprias mãos como se quisesse esmagar algo.
— Ele conseguiu fugir — a admissão saiu entre dentes cerrados, carregada de uma frustração violenta.
— O Eduardo viu ele, estava à queima-roupa. Mas aquele filho da puta… ele usou a Joyce como escudo humano até o último segundo. Quando ela conseguiu se soltar… ele atirou nela e pulou num carro blindado. O Eduardo acertou ele. Disse que viu sangue, muito sangue. O Thales já tava machucado da… facada.
Ele fez uma pausa, olhando para mim, vendo o turbilhão de emoções no meu rosto.
— Mas ele fugiu. Conseguiram escapar no meio do tiroteio.
— Tomara que ele morra — a frase saiu de mim antes que eu pudesse pensar, carregada de um ódio puro e primitivo que me assustou. — Tomara que ele sangre até a morte num esgoto. Eu quero a Joyce, Rafael. Preciso ver ela. Preciso saber que ela vai ficar bem.
— Você não tá em condições, Lorena — ele disse, sua voz suave mas inflexível. — Você mal consegue ficar em pé. A Joyce tá sendo levada para um hospital particular, de um amigo meu. Eles vão cuidar dela com a máxima prioridade, e os melhores médicos. Ela vai ter todo o cuidado que necessita nesse momento e você precisa focar em se cuidar agora. Para quando ela estiver melhor, você estar forte também. Para a Alana.
Ele tinha razão.
Eu sabia que ele tinha razão, mas a impotência era sufocante.
Eu queria estar lá.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...