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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 446

A ansiedade era um animal vivo, roendo minhas entranhas.

Cada minuto que passava era uma tortura. Estava sentada na cama, tentando me concentrar em Alana, que havia se aconchegado ao meu lado, exausta do estresse e finalmente adormecido.

Mas meus ouvidos estavam sintonizados em qualquer som vindo da sala, no sussurro baixo de Rafael ao telefone, o andar inquieto da Glayce.

Cada silêncio dele era pior do que uma notícia ruim, porque significava que ele ainda não sabia de nada.

Meus dedos traçavam círculos nas costas da Alana, mas minha mente estava num estacionamento escuro, imaginando a Joyce aterrorizada, imaginando tiros e o pior.

A facada que eu dei no Thales parecia um gesto pequeno e inútil agora. Ele ainda estava por aí e ele tinha ela.

Rafael entrou no quarto.

A expressão no rosto dele foi como um soco no estômago. Ele tentou disfarçar, forçando um aceno de cabeça calmo, mas seus olhos… estavam escuros, carregados de uma tensão que ele não conseguia esconder.

Ele olhou para Alana, dormindo, e depois para mim.

Meu corpo inteiro se contraiu e me esforcei ao máximo para não acordá-la.

— Rafael… — minha voz saiu num fio de som.

— O Eduardo está com ela — ele disse, direto ao ponto, sua voz era um murmúrio rouco. — Ele conseguiu chegar até a Joyce.

O ar que eu não sabia que estava prendendo saiu dos meus pulmões em um longo, trêmulo suspiro de alívio.

Ela está com o Eduardo e segura.

Mas o alívio durou um segundo. Porque o rosto de Rafael não relaxou.

Não havia alívio ali, só uma preocupação ainda mais profunda.

— O que aconteceu? — perguntei, as palavras saindo mais rápido e agudas. — Rafael, fala. Onde ela tá? Como ela tá?

Ele se aproximou da cama, seus olhos evitando os meus por um instante.

Ele estava tentando achar as palavras. Cada segundo de hesitação dele era uma agulha no meu peito.

— Eles… eles estão a caminho do hospital — ele finalmente disse, sentando-se na beirada da cama, sua mão encontrando a minha, que estava fria e trêmula. — Ela… a Joyce levou um tiro, Lorena. Nas costas.

As palavras não fizeram sentido por um momento.

Um tiro. Nas costas.

Elas ecoaram na minha cabeça, vazias. E então o significado se encaixou, com um impacto físico que me fez dobrar para frente.

Um gemido abafado escapou dos meus lábios.

— Não… meu Deus, não…

Alana se mexeu no meu colo, seu sono leve quebrado pelo tremor do meu corpo. Ela abriu os olhos, confusa e assustada.

— Mamãe? O que foi?

Tentei me recompor, engolindo o choro que ameaçava explodir. Limpei os olhos rapidamente com as costas da mão.

— Não é nada, meu amor. Tá tudo bem. — A mentira saiu pastosa e óbvia. — A mamãe só precisa falar com o Rafael um pouquinho. Você pode ir com a tia Glayce? Só por um minutinho.

— Não quero — ela protestou, agarrando-se ao meu pijama, seu olhar desconfiado indo de mim para Rafael.

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