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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 447

Queria segurar a mão da Joyce, pedir desculpas, fazer alguma coisa.

— Como ele conseguiu se safar? — perguntei, a voz fraca de tanto chorar. — Como, depois de tudo? Depois do que eu fiz com ele… depois de terem cercado ele…

— Ele tem recursos, Lorena. E tem gente ainda mais perigosa atrás dele agora — Rafael disse, seu olhar ficando sombrio. — Os Doze Selos, eles estavam lá também. Acho que foi o caos que eles criaram que permitiu que ele escapasse. Ele não tá seguro. Ninguém que trai aquela gente tá seguro por muito tempo.

A informação deveria me trazer algum conforto, mas só aumentou o aperto no meu peito.

Significava que a ameaça não tinha acabado. Podia estar mudando de forma, mas ainda estava lá.

Eu me deixei cair de volta nos travesseiros, a exaustão física e emocional me atingindo de uma vez.

Rafael se deitou ao meu lado, envolvendo-me novamente com seus braços. Dessa vez, eu virei de lado, encostando as costas no peito quente dele, me aninhando no espaço que parecia ter sido feito para mim.

— Ela vai ficar bem — ele repetiu, seus lábios próximos do meu ouvido, como uma promessa sussurrada. — Você vai ficar bem e nós vamos passar por isso. Juntos.

Eu não respondi. Só fechei os olhos, deixando as lágrimas silenciosas continuarem a escorrer.

A imagem da Joyce, levando um tiro nas costas porque tentou escapar do homem que era meu marido, queimava atrás das minhas pálpebras.

O ódio pelo Thales era uma chama negra e voraz dentro de mim. E o medo… o medo de que, mesmo ferido, mesmo caçado, ele ainda pudesse encontrar um jeito de nos alcançar.

De alcançar minha filha.

Mas o braço firme de Rafael ao meu redor e sua respiração constante contra meu cabelo, era a única âncora em meio ao furacão.

Era pouco.

Mas naquele momento, era tudo que eu tinha. E eu me agarrei a isso com todas as minhas forças restantes.

(Rafael)

Sentir o corpo dela finalmente relaxar contra o meu, a respiração se aprofundando no ritmo pesado do sono induzido, foi um alívio e uma agonia.

Ela precisava descansar.

O seu corpo estava no limite, e a mente… bem, a mente dela tinha acabado de levar outro golpe brutal.

Eu fiquei ali por mais alguns minutos, apenas segurando-a, sentindo cada tremor residual que percorria seus membros até que cessassem por completo. O cheiro do seu cabelo misturado ao dos medicamentos, era um cheiro de dor e sobrevivência.

Com cuidado infinito, deslizei meu braço de debaixo dela e me levantei da cama.

Ela murmurou algo no sono, uma palavra ininteligível, mas não acordou. Arrumei as cobertas em volta dela e saí do quarto em silêncio, fechando a porta sem fazer barulho.

Na sala, a luz fraca da TV iluminava o rosto concentrado da Alana e a expressão neutra da Glayce.

A menina olhou para mim, seus olhos ainda carregados das perguntas que não tinham sido respondidas.

Eu lhe dei um aceno de cabeça, tentando transmitir uma calma que não sentia.

— Ela dormiu — disse, baixinho. — Vocês tão bem?

Alana apenas assentiu, seu olhar voltando para os desenhos animados, mas sem realmente ver.

Glayce me olhou, e num único olhar, ela entendeu toda a fúria, frustração, e a preocupação transbordando em mim.

— Vou dar uma volta — murmurei, mais para a Glayce do que para Alana.

Ela acenou com a cabeça.

Eu saí pela porta dos fundos, que dava para uma pequena varanda de madeira que rangia sob meus pés.

O ar noturno era frio e puro, um contraste brutal com o cheiro abafado de preocupação e medo dentro da casa.

Mal tinha dado dois passos na direção da cerca, onde dois dos meus homens faziam vigia discretamente, que um deles, se desprendeu da sombra e se aproximou.

Seu rosto estava sério sob o boné.

A exaustão pesava meus ossos, mas a adrenalina do ódio me mantinha alerta.

A Joyce.

A imagem dela caindo, descrita pelo Eduardo, não saía da minha cabeça.

Ela era jovem, uma garota normal, que só queria cuidar de crianças. Agora estava num hospital, lutando pela vida porque teve a infelicidade de ser amiga da mulher errada.

Porque ela era boa.

A Lorena lá dentro, se consumindo de culpa que não era dela. A Milena e meus pais, trancados na minha casa como reféns de uma guerra que eu trouxe para a nossa porta.

Tudo.

Tudo era uma merda colossal por causa daquele único homem. Um câncer que tinha metastizado e envenenado a vida de todo mundo que tocava.

Um dos meus outros homens se aproximou, oferecendo um café preto e forte num copo de plástico.

Peguei com um aceno de agradecimento e tomei um gole. O líquido amargo queimou na garganta, mas não limpou o gosto de impotência.

Eu olhei para a casa.

A luz fraca ainda saía pelas frestas das cortinas do quarto onde a Lorena dormia.

Ela estava segura, por enquanto. Eu tinha que acreditar que a Joyce iria sobreviver.

E eu tinha que acreditar que, de uma forma ou de outra, o pesadelo chamado Thales estava com os dias contados.

Seja pelas minhas mãos, pelas do irmão dela, ou pelas das próprias feras com quem ele tinha se aliado.

Eu só precisava ter paciência e ter certeza. Porque quando a poeira baixasse, e se ele ainda estivesse respirando… aí, nada mais ia me segurar.

Nem fronteiras, nem esconderijos, nem homens armados. Eu iria até o fim do mundo para apagar aquele maldito da face da terra.

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