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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 448

(Thales)

A luz piscou.

Não era a luz do teto, podre e fraca.

Era a luz dentro da minha cabeça. Cada piscada vinha acompanhada de uma nova explosão de branco e dor.

O soco no queixo, seco e preciso, fez minha cabeça girar para o lado.

Senti algo ceder no meu nariz de novo, um estalo úmido que me fez ver estrelas.

O gosto de cobre, velho e novo, encheu minha boca.

Respirar era um trabalho. O ar assobiava e rangia através do nariz entupido de sangue e cartilagem quebrada.

Tentei falar, explicar, negociar, algo, mas outro soco, dessa vez na boca do estômago, tirou todo o ar que me restava.

Eu me dobrei, tanto quanto as correntes permitiam, e cuspi um jato escuro de sangue e bile no chão de cimento sujo.

Forças, eu não tinha mais.

Eles tinham me mantido assim, nessa dança de dor metódica, por mais de duas horas.

Talvez três.

O tempo tinha virado uma massa elástica de agonia.

O pior era a lógica sádica deles, tinham me arrastado para um canto, feito uma cirurgia de merda para tirar a bala que o Eduardo tinha plantado na minha lateral, costurado os pontos da barriga que a facada da Lorena tinha aberto de novo.

Não por piedade e sim, para me manterem vivo.

Para eu aguentar e sentir mais.

A porta do porão se abriu, e o silêncio que caiu sobre os homens que me batiam foi mais aterrorizante do que qualquer grito.

Ele entrou.

O Abismo.

A máscara dourada, estilizada como um poço sem fundo, cobria todo o seu rosto.

Nem eu, que tinha trabalhado nos escalões mais altos, sabia quem diabos ele era.

O fantasma, fundador. O homem que supostamente tinha mais sangue nas mãos do que os outros onze juntos.

Um vazio ambulante movido a ódio puro.

Ele caminhou até mim, seus passos não faziam som no chão úmido e parou bem na minha frente.

Sua mão, enluvada de couro preto, agarrou um punhado do meu cabelo sujo de sangue e suor e puxou, forçando minha cabeça para trás.

Meus olhos, cego e inchado, o outro enxergando através de um véu vermelho, encontraram os orifícios escuros da máscara.

— Como você teve a audácia? — a voz dele saiu de dentro da máscara, um sussurro calmo, plano, que congelou o ar nos meus pulmões. — Como você achou que ia tocar no que é meu e se safar? Você é muito, Eclipse.

Com a outra mão, ele pegou algo de uma bandeja que um dos homens segurava.

Um soqueira inglesa, de metal escuro e frio. Ele a encaixou nos dedos com um movimento preciso.

Então, usou a ponta dela para erguer meu queixo, forçando meu olhar bom a manter contato com a escuridão da máscara.

— Onde está o meu dinheiro?

Engoli.

O bolo de sangue e saliva desceu como uma pedra. — Gas… gastei.

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