(Thales)
Meu corpo, sem o suporte, desabou no chão frio como um saco de ossos. Mal conseguia me manter de joelhos.
Eles me puxaram para cima, cada movimento uma nova onda de tortura.
Me jogaram em um canto, em cima de uns trapos sujos. O frio agora era profundo, entranhado nos ossos.
Comecei a tremer incontrolavelmente e sabia que estava com febre, que meu corpo estava começando a entrar em colapso, a combater as infecções que deviam estar se espalhando pelas feridas abertas.
Deitado ali, tremendo, cada respiração era uma súplica, eu sabia a verdade.
Eu não ia sair dessa vivo.
Mesmo que conseguisse o dinheiro do Rafael, mesmo que entregasse a Lorena numa bandeja, o Abismo ia me matar.
Era só uma questão de quando e como.
Mas não importava. Porque se eu ia pro inferno, não ia sozinho.
Ia arrastar aquela puta traidora comigo.
Ela ia pagar por tudo. Por cada soco, facada, olhares de nojo e cada segundo que ela passou na cama daquele outro.
Eu ia encontrá-la e nós dois íamos queimar juntos. Era o único pensamento que me mantinha consciente naquela escuridão fria e fedorenta.
A escuridão foi uma trégua. Um vácuo sem dor, sem frio, sem pensamentos.
O chute veio do nada, encontrando meu estômago com uma precisão brutal, direto nos pontos recém-costurados.
O ar foi arrancado dos meus pulmões com um uivo rouco e agonizante que mal saiu da minha garganta.
Meu corpo se contorceu nos trapos sujos, tentando se dobrar em volta da nova onda de agonia.
Ofegante, cuspindo um fio de saliva tingida de sangue, forcei os olhos a se abrirem.
A visão do lado bom estava embaçada, cheia de manchas. O outro lado era só uma massa latejante e quente.
A luz fraca do porão revelou as botas enlameadas do Félix a poucos centímetros do meu rosto.
Ele estava parado, olhando para mim com uma expressão que não era raiva. Era puro nojo.
Como se eu fosse um inseto que ele tinha que carregar.
— Acorda, lixo — sua voz era monótona, sem emoção. — Suas quarenta e oito horas agora são vinte e duas. Você dormiu que nem um bebê.
Vinte e duas…?
Meu cérebro, lento e pesado pelo trauma e pela febre, lutou para processar.
Eu tinha desmaiado e desperdicei horas preciosas.
Uma nova onda de pânico, mais fria que a febre, tomou conta de mim.
— Porra… por que você não me acordou antes? — grunhi, tentando me empurrar para cima com os cotovelos.
O movimento foi uma tentativa patética. Meus braços mal me sustentaram, e eu desabei de novo, com a dor nas costelas gritando.
Félix apenas sorriu.
Um sorriso pequeno e cruel que não chegou aos olhos.
— O chefe disse que você tinha quarenta e oito horas a partir do momento que ele saísse. Você que apagou, então o relógio correu e o problema é todo seu.
Ele tinha me deixado apodrecer de propósito. Para me deixar mais fraco, mais desesperado. Filho da puta.
— Então vamos logo — cuspi, sentando-me com um esforço sobre-humano.
Só queria ver o terror nos olhos dela e fazer ela pagar, de uma vez por todas, por ter se achado no direito de me ferir, de me trair e me desobedecer.
O carro acelerou, levando-me em direção ao último ato. E eu estava pronto. Ou pelo menos, o ódio dentro de mim estava. Era tudo que eu precisava.
(Rafael)
O ar do quarto vazio ainda carregava o cheiro dela.
Um cheiro doce e limpo, que agora só aumentava a sensação de abandono dentro de mim. Eu estava parado no meio do cômodo, exatamente onde a cama dela tinha ficado, sentindo o eco do desespero nos meus ossos.
Conseguia ver perfeitamente o seu olhar quando eu entrei no quarto com a notícia que ia rachar o pouco de paz que ela tinha conquistado.
"Descobriram o esconderijo. Temos que ir, agora." A confusão nos olhos dela, rapidamente substituída por um pânico gelado e familiar.
A Alana chorando, agarrada à perna dela. A pressa brutal com que a Glayce e eu as empurramos para o carro blindado que já estava com o motor ligado.
E então, os olhos dela.
Quando eu fechei a porta do carro, trancando-a do lado de dentro, segura, mas separada de mim.
Seus olhos arregalados, cheios de um desespero mudo que gritava meu nome. Ela bateu no vidro à prova de balas, seus lábios formando um grito que eu não podia ouvir.
Mas eu lia perfeitamente…
"Não! Rafael! Não me deixe! Você não pode ficar!"
Eu encostei a testa no vidro, por um segundo infinito, e sussurrei as únicas palavras que importavam, sabendo que ela não ia ouvir, mas precisando dizê-las.
"Eu te amo. Vai ficar tudo bem."
Foi a coisa mais difícil que eu já fiz. Virar as costas e caminhar de volta para a casa vazia, enquanto o carro sumia na estrada de terra, levando meu coração e minha razão de viver com ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...