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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 451

Olhei para o homem no carro.

— Eu não quero guerra com os Selos — minha voz saiu clara e firme, cortando o ar carregado. — Meu problema é com ele. Com o Thales e não com o Eclipse... Leve essa mensagem ao seu líder... Esqueçam a Lorena e a família dela.

O homem franziu levemente a testa.

— O desgraçado deve cinquenta milhões ao chefe. A dívida não morre com o devedor. Passa pra família.

Cinquenta milhões.

O filho da puta tinha roubado deles. A raiva contra o Thales fervilhou ainda mais dentro de mim. Apertei o pé na ferida dele, fazendo-o gemer.

— Vocês receberão o endereço onde esse desgraçado guarda o pouco que lhe resta... E o restante, eu pago a vocês… Mas a Lorena e a família dela estão fora do jogo. É minha oferta final.

O homem me encarou por um longo momento. Nenhum de nós piscou.

A carnificina ao nosso redor era apenas pano de fundo. Por fim, ele deu um aceno quase imperceptível.

— Vou informar. Entraremos em contato para o envio do dinheiro — Ele então, com um movimento fluido, assumiu o lugar do motorista morto, ligou o carro e, sem olhar para trás, deu ré e saiu, evitando os corpos no caminho.

Thales, sangrando e delirando de dor, gritava insultos depois do carro.

— Volta! Seu covarde! Me ajuda!

Eu olhei para ele.

Toda a frieza e evaporou por um momento, substituído por um ódio profundo e pessoal.

Ordenei aos meus homens que o pegassem.

Eles o arrastaram, com Thales lutando e xingando fracamente, para dentro da casa.

Jogaram-no no chão da sala de estar, agora vazia e com marcas da batalha. Amarram-no a uma cadeira pesada de madeira.

Eu mandei todos saírem. Só o Raul ficou, parado perto da porta, uma presença silenciosa e vigilante.

Sentei-me em outra cadeira, de frente para o Thales. Ele respirava com dificuldade, o sangue escorrendo das pernas, encharcando as calças, e da ferida abdominal que eu tinha reaberto.

— Por quê? — minha voz saiu baixa, mas ele ouviu. — Por que você se permitiu ser esse lixo? Por que bater numa mulher como a Lorena? Ela é… incrível.

— Cala… a boca… — ele rosnou, cuspindo sangue.

— No começo — continuei, ignorando-o, como se estivesse falando para mim mesmo — eu só achei ela gostosa e inteligente. Mas ela era casada e eu sempre respeitei isso. Nunca fui de meter com mulher comprometida, para evitar problemas. — Me levantei, andando devagar em volta dele. — Mas aí eu vi a primeira marca. Um olhar de medo que não deveria estar num rosto daqueles. Nenhuma mulher merece ter aquele olhar.

Parei atrás dele. Ele tentou se virar, mas as amarras o prendiam.

Prendi seu pescoço com uma corda, puxando forte o suficiente para trás enquanto ele agonizava de dor, o ar faltando em seus pulmões.

— Lembra quando você a fazia se sentir assim… sem ar. Quando ela chegava no trabalho com uma blusa que cobria o pescoço… como é essa sensação?

Forcei mais, ele se debatia, fazia sons esquisitos com a boca, tentando buscar ar e então, quando ele quase ia desmaiando, o soltei.

O desgraçado tossiu, tentando puxar o ar de volta para seus pulmões.

— Tentei conversar com ela, ajudar. Mas você tinha feito um estrago e ela tinha tanto medo… — minha voz ficou mais áspera. — E as coisas foram acontecendo. Naturalmente, até o primeiro beijo.

— EU VOU TE MATAR! — ele gritou, se debatendo.

Eu dei a volta e acertei um soco direto no que restava do rosto bom dele. O baque foi satisfatório. Ele gemeu, com a cabeça pendendo.

— Nunca beijei uma mulher com tanta fome — sussurrei, me aproximando de novo, segurando seu queixo com força, forçando ele a me olhar com o único olho que ainda funcionava. — E eu senti o corpo dela desejando o meu. Assim como eu desejava o dela.

— Cuida de tudo aqui e some com isso. — minha voz estava surpreendentemente estável.

Ele apenas assentiu, com seu rosto sério.

Era o fim de um capítulo.

Eu saí da sala, passando pelos corpos no pátio sem olhar para eles e meus homens os pegando para fazerem a limpeza.

Entrei no meu carro e respirei fundo…

Agora, era hora de ir buscar a minha mulher.

De dizer a ela que estava tudo acabado e finalmente poder respirar. O ódio tinha me consumido, me guiado, me tornado a arma.

Agora, ele tinha cumprido sua função. E eu podia, finalmente, me deixar sentir o alívio. E a saudade dela.

A estrada até o novo esconderijo foi um borrão. Meu corpo ainda vibrava com a adrenalina residual, e minhas mãos estavam firmes no volante, mas com um tremor quase imperceptível por baixo.

O cheiro de pólvora parecia ter impregnado minhas roupas, minha pele. Mas por baixo disso, havia apenas um pensamento: ela.

O lugar era ainda mais remoto, uma casa de pedra baixa quase engolida pela vegetação. Quando o carro parou na clareira de terra batida à frente, a porta da casa se abriu antes mesmo que eu desligasse o motor.

E ela saiu correndo.

Lorena.

Ainda vestindo o mesmo pijama simples, e os pés descalços na terra fria. Seu rosto estava pálido, as marcas roxas e amarelas ainda nítidas, mas seus olhos… estavam iluminados por um desespero e um alívio tão brutais que me paralisaram por um segundo.

Eu mal tinha saído do carro quando ela se jogou contra mim.

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