Olhei para o homem no carro.
— Eu não quero guerra com os Selos — minha voz saiu clara e firme, cortando o ar carregado. — Meu problema é com ele. Com o Thales e não com o Eclipse... Leve essa mensagem ao seu líder... Esqueçam a Lorena e a família dela.
O homem franziu levemente a testa.
— O desgraçado deve cinquenta milhões ao chefe. A dívida não morre com o devedor. Passa pra família.
Cinquenta milhões.
O filho da puta tinha roubado deles. A raiva contra o Thales fervilhou ainda mais dentro de mim. Apertei o pé na ferida dele, fazendo-o gemer.
— Vocês receberão o endereço onde esse desgraçado guarda o pouco que lhe resta... E o restante, eu pago a vocês… Mas a Lorena e a família dela estão fora do jogo. É minha oferta final.
O homem me encarou por um longo momento. Nenhum de nós piscou.
A carnificina ao nosso redor era apenas pano de fundo. Por fim, ele deu um aceno quase imperceptível.
— Vou informar. Entraremos em contato para o envio do dinheiro — Ele então, com um movimento fluido, assumiu o lugar do motorista morto, ligou o carro e, sem olhar para trás, deu ré e saiu, evitando os corpos no caminho.
Thales, sangrando e delirando de dor, gritava insultos depois do carro.
— Volta! Seu covarde! Me ajuda!
Eu olhei para ele.
Toda a frieza e evaporou por um momento, substituído por um ódio profundo e pessoal.
Ordenei aos meus homens que o pegassem.
Eles o arrastaram, com Thales lutando e xingando fracamente, para dentro da casa.
Jogaram-no no chão da sala de estar, agora vazia e com marcas da batalha. Amarram-no a uma cadeira pesada de madeira.
Eu mandei todos saírem. Só o Raul ficou, parado perto da porta, uma presença silenciosa e vigilante.
Sentei-me em outra cadeira, de frente para o Thales. Ele respirava com dificuldade, o sangue escorrendo das pernas, encharcando as calças, e da ferida abdominal que eu tinha reaberto.
— Por quê? — minha voz saiu baixa, mas ele ouviu. — Por que você se permitiu ser esse lixo? Por que bater numa mulher como a Lorena? Ela é… incrível.
— Cala… a boca… — ele rosnou, cuspindo sangue.
— No começo — continuei, ignorando-o, como se estivesse falando para mim mesmo — eu só achei ela gostosa e inteligente. Mas ela era casada e eu sempre respeitei isso. Nunca fui de meter com mulher comprometida, para evitar problemas. — Me levantei, andando devagar em volta dele. — Mas aí eu vi a primeira marca. Um olhar de medo que não deveria estar num rosto daqueles. Nenhuma mulher merece ter aquele olhar.
Parei atrás dele. Ele tentou se virar, mas as amarras o prendiam.
Prendi seu pescoço com uma corda, puxando forte o suficiente para trás enquanto ele agonizava de dor, o ar faltando em seus pulmões.
— Lembra quando você a fazia se sentir assim… sem ar. Quando ela chegava no trabalho com uma blusa que cobria o pescoço… como é essa sensação?
Forcei mais, ele se debatia, fazia sons esquisitos com a boca, tentando buscar ar e então, quando ele quase ia desmaiando, o soltei.
O desgraçado tossiu, tentando puxar o ar de volta para seus pulmões.
— Tentei conversar com ela, ajudar. Mas você tinha feito um estrago e ela tinha tanto medo… — minha voz ficou mais áspera. — E as coisas foram acontecendo. Naturalmente, até o primeiro beijo.
— EU VOU TE MATAR! — ele gritou, se debatendo.
Eu dei a volta e acertei um soco direto no que restava do rosto bom dele. O baque foi satisfatório. Ele gemeu, com a cabeça pendendo.
— Nunca beijei uma mulher com tanta fome — sussurrei, me aproximando de novo, segurando seu queixo com força, forçando ele a me olhar com o único olho que ainda funcionava. — E eu senti o corpo dela desejando o meu. Assim como eu desejava o dela.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...