Eu mal tinha saído do carro quando ela se jogou contra mim.
O impacto foi forte, quase me desequilibrando, mas minhas mãos a encontraram instantaneamente, envolvendo-a, fechando-se em volta do seu corpo trêmulo como uma fortaleza.
Ela enterrou o rosto no meu pescoço, seus braços se apertando com uma força desesperada nas minhas costas.
— Rafael… meu Deus… — meu nome saía dela num sussurro choroso, entrecortado por soluços.
— Eu tô aqui — murmurei contra o seu cabelo, apertando-a mais forte ainda. — Tô aqui, amor.
Ela se afastou o suficiente para olhar para o meu rosto, suas mãos subindo para tocar minhas bochechas, meu queixo, como se precisasse se certificar de que eu era real.
Seus olhos escaneavam meu corpo, pousando nas manchas escuras no meu casaco que não eram sujeira, no corte raso na minha têmpora onde um estilhaço de vidro tinha me acertado e minha postura ligeiramente curvada de quem ainda sentia cada golpe e tensão.
— Você tá todo… você tá machucado? O que aconteceu? Todo esse sangue… — sua voz estava cheia de pânico e seus dedos tentando inspecionar o casaco.
— Não é meu — disse, rápido, segurando suas mãos nas minhas. — Não é meu, Lorena. Tá vendo? Tô inteiro.
Mentira.
Eu estava longe de inteiro. Mas as feridas eram só por fora. Por dentro, uma paz estranha e cansada começava a se instalar.
Mas o olhar dela não se convenceu, por causa da realidade que ela estava vivendo durante sua vida.
Seu rosto se contorceu e um novo choro, mais profundo e desesperado, a tomou. Ela começou a tremer incontrolavelmente, como se todo o medo, a tensão, o trauma dos últimos dias, meses, anos, estivessem escapando de uma vez.
— Ele… ele… — ela tentou falar, mas as palavras se perderam nos soluços.
Eu não a deixei continuar.
Puxei-a de volta contra o meu peito, a envolvendo completamente, enterrando meu rosto no seu cabelo. Sentindo seu corpo se desmanchar contra o meu e todo seu peso, sua dor, sendo sustentado por mim.
— Acabou — sussurrei, minha voz rouca e cheia de uma certeza absoluta que eu nunca tinha sentido antes.
A palavra ecoou no silêncio da clareira, carregada de um significado monumental.
— Acabou, Lorena. Tudo. Ele não vai te machucar nunca mais. Nunca mais.
Ela não perguntou como, não quis saber dos detalhes. Talvez soubesse, no fundo, que algumas respostas eram melhor deixadas na escuridão.
Ela apenas chorou. Chorou até não ter mais lágrimas, seu corpo sacudindo contra o meu, seus punhos apertados na minha camisa.
E eu apenas segurei firme. Deixando que a tempestade dela passasse, absorvendo cada tremor, cada gemido abafado.
O céu acima de nós estava cinza e pesado, mas ali, naquele pedaço de terra com ela nos meus braços, pela primeira vez, o ar parecia limpo e livre.
O pesadelo tinha acabado. E agora, com ela tremendo mas viva e segura contra mim, eu podia finalmente começar a acreditar que um novo dia estava realmente amanhecendo.
O seu corpo finalmente começou a parar de tremer, os soluços deram lugar a suspiros trêmulos e profundos.
Eu mantive meu rosto enterrado no seu pescoço, respirando aquele cheiro que era só dela e suspirei, sentindo um pouco da tensão sair dos meus próprios ombros.
Ela se afastou o suficiente para me olhar nos olhos novamente, suas mãos ainda agarradas às minhas. Seus olhos, vermelhos e inchados, vasculharam o meu rosto em busca de qualquer sinal de mentira.
— Você tá bem mesmo? Não se machucou? Não tá escondendo nada de mim?
Eu balancei a cabeça, um movimento lento e firme.
— Tô bem, Lorena. Prometo. Só cansado e com umas roupas que precisam queimar.
Um suspiro de alívio, profundo e trêmulo, escapou dela.
— Eu fiquei tão preocupada… — ela confessou, as lágrimas ameaçando voltar. — Quando você fechou aquela porta… eu achei que nunca mais ia te ver.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...