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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 453

— Não vai acontecer, tá tudo bem agora. Vamos ficar juntos.

Então, com movimentos lentos, eu peguei a barra da sua blusa de pijama e a ergui. Ela levantou os braços, permitindo.

O tecido passou por sua cabeça e caiu no chão. Depois, me abaixei, ignorando a facada de dor na perna, e puxei a calça do pijama, que deslizou por suas pernas até seus pés.

Ela ficou ali, nua diante de mim, sob a luz fraca do banheiro.

Eu suspirei. Mesmo com os hematomas, as marcas roxas e amarelas que contavam uma história de horror, ela era a coisa mais linda que eu já tinha visto.

Era a minha mulher. Viva. Livre.

Peguei sua mão na minha.

— Vem.

Nossos olhos se encontraram e não se desprenderam enquanto entrávamos no box.

Eu liguei o chuveiro, ajustando a água até ficar quente, mas não escaldante. Então, puxei-a para debaixo da cascata comigo, envolvendo-a em meus braços de novo, sentindo seu corpo molhado e quente se colar ao meu.

A água escorria por nós, lavando simbolicamente a sujeira do dia, do medo, da violência. Eu a segurei com força, com meu rosto enterrado no seu pescoço molhado.

— Queria tanto te sentir — murmurei, com a voz rouca contra sua pele.

Era um desejo profundo, físico, mas ia além disso. Era a necessidade de reconexão total, de apagar qualquer vestígio do toque dele, de marcar ela como minha de uma forma que fosse só nossa.

Mas eu sabia.

Olhei para as marcas no corpo dela, senti a fragilidade nos seus ombros. Ela não estava pronta.

Então, em vez disso, peguei a bucha e o sabonete. Ensaboei as mãos e comecei a passar o sabão nas suas costas, com movimentos lentos, circulares, massageando a tensão que ainda estava presa nos músculos dela.

Ela fechou os olhos e um pequeno suspiro de prazer escapando dos lábios.

— Minha vez — ela sussurrou, pegando a bucha das minhas mãos.

Ela começou a lavar meu peito, meus braços, com a mesma delicadeza, seus dedos explorando cada contusão, cada arranhão, como se estivesse memorizando os danos para poder curá-los.

Nós não falávamos. O som da água era o único ruído e nossos olhos se encontravam a todo momento, trocando palavras sem som.

Ela passou a bucha pelas minhas costas, e eu fiz o mesmo por ela, deslizando pelas curvas da sua cintura, pela parte de trás das coxas.

Era um ritual de limpeza, sim, mas também de posse, de cuidado, de reconstrução de intimidade que tinha sido violada.

Em um momento, eu não aguentei. Puxei-a para mim, debaixo da água, e capturei seus lábios em um beijo profundo, lento. Nossos corpos se pressionaram um contra o outro, com a água quente escorrendo entre nós.

— Eu te amo — sussurrei, as palavras saindo entre um beijo e outro, roucas e carregadas de todo o sentimento que transbordava em mim. — E agora você tá livre. Livre pra ser completamente minha.

Ela sorriu contra meus lábios, um sorriso verdadeiro, iluminado, que alcançou seus olhos e os encheu de uma luz que eu nunca vi..

— Eu te amo também — ela respondeu, sua voz saindo em um sussurro doce e firme no meio do vapor. — Completamente.

Eu me vesti também com um jeans, uma camiseta preta e instantaneamente me senti mais humano, menos como a arma que eu tinha sido horas antes.

A hora de ir embora chegou.

Alana veio até nós, com seu ursinho ainda numa mão, e se agarrou às pernas da mãe.

Lorena sorriu, um sorriso que iluminou seu rosto machucado de uma forma que me parou o coração.

— Quero ir ver a Joyce. — Ela disse me olhando.

— Mãe, a Joyce já voltou? — a voz inocente de Alana cortou o ar.

Vi o sorriso de Lorena congelar por uma fração de segundo. Ela não tinha contado à menina o que estava acontecendo com sua babá.

Ela respirou fundo e se ajoelhou com dificuldade, nivelando seu olhar com o da filha.

— A Joyce se machucou um pouquinho, minha vida. Ela está no hospital, mas os médicos são muito bons cuidando dela, e ela vai ficar bem. Logo podemos ir vê-la.

Alana fez um biquinho, preocupada, mas aceitou a explicação com a resiliência das crianças.

Lorena a abraçou de novo, e eu vi seus olhos se encherem d’água por um segundo antes que ela fechasse as pálpebras e engolisse a emoção.

— Vamos pra minha casa — eu disse, quebrando o momento. — O seu irmão quer nos ver. E você precisa de um lugar pra descansar de verdade.

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