O abraço do Eduardo foi sólido, real, uma âncora no meio do turbilhão dos últimos dias.
Senti o seu cheiro por um segundo, foi como voltar a ser a irmãzinha que ele protegia. Mas o alívio de vê-lo, de saber que ele estava bem, durou apenas o tempo do abraço.
Quando nos separamos, meus olhos já estavam vasculhando o rosto dele, buscando a resposta para a única pergunta que importava agora.
Ele segurou meus ombros, seus dedos firmes, mas sua expressão… seus olhos estavam sombrios, carregados de uma preocupação que ele tentava disfarçar.
Meu coração começou a bater mais rápido, como um tambor de mau presságio no meu peito.
— Edu… a Joyce — minha voz saiu num fio de som, quase um sussurro suplicante. — Fala comigo. Como ela tá? Por favor.
Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando para carregar um peso. Olhou para Rafael por uma fração de segundo, como se buscasse apoio, e então voltou seus olhos para mim.
— Ela… ela tá viva. Isso é o mais importante — ele começou, e eu senti um alívio mínimo, frágil, que durou o tempo da sua próxima frase. — A bala… foi nas costas, você sabe e os médicos disseram que… que foi um milagre e que por muito pouco, ela não atingiu a medula.
A medula.
A palavra ecoou na minha cabeça. Eu não sou médica, mas sei o que significa uma lesão na medula. Paralisia, cadeira de rodas.
Uma vida inteira mudada.
— O que… o que isso quer dizer? — perguntei, minha voz trêmula.
Eduardo fez uma careta, tentando traduzir os termos médicos.
— Quer dizer que a bala passou perto, raspou, mas não cortou o… o fio principal que manda os sinais pro corpo andar, sentir as pernas. Entende? Mas por causa do trauma, do estresse no corpo todo… mesmo sem ter cortado, a região ficou muito inchada, inflamada. E isso, sozinho, já pode… prejudicar os sinais.
Ele fez uma pausa, esfregando o rosto com a mão.
— Eles vão ter que fazer outra cirurgia. Pra descomprimir e tentar aliviar a pressão nessa área. E mesmo depois… — ele suspirou, o som carregado de um cansaço infinito. — Mesmo depois, vai ser uma longa estrada. Muito fisioterapia e esforço. Não dá pra garantir como ela vai sair disso, se vai voltar a andar normalmente. Pode ficar com sequelas. Fraqueza, formigamento…
Eu ouvia as palavras, mas elas pareciam distantes. Eu via a boca do meu irmão se movendo, mas o som que dominava meus ouvidos era o daquele tiro, o da Joyce caindo.
Por minha causa.
— E… e tem mais — a voz do Eduardo ficou ainda mais baixa, mais grave. O frio que começou na minha espinha se espalhou por todo o meu corpo.
Meu estômago virou.
— O quê? — minha voz era um sopro.
— Ela entrou em coma, Ló. — As palavras caíram como pedras. — A cirurgia da coluna foi feita, mas ela… ela não acordou. Ela tá em coma induzido agora, para o cérebro descansar e o inchaço na cabeça baixar. Eles tão monitorando tudo. Mas… — ele engoliu em seco, seus olhos evitando os meus por um segundo. — Eles não sabem quando ela vai acordar. Ou… ou se…
— NÃO! — o grito saiu de mim antes que eu pudesse controlar.
As lágrimas, que eu tinha contido desde que ele começou a falar, jorraram quentes e incontroláveis.
Meu corpo começou a tremer violentamente.
— Não, Edu, não pode ser! Ela não pode… depois de tudo… ela tem que acordar!
Eu senti braços fortes me envolvendo por trás, era Rafael.
Ele me puxou contra o peito dele, envolvendo-me em um abraço que era firme, mas ao mesmo tempo infinitamente cuidadoso, evitando minhas costelas machucadas.
Seu calor, sua solidez, eram o único ponto estável em um mundo que estava desmoronando de novo.
— Ela vai acordar, amor — a voz dele era um murmúrio baixo e firme no meu ouvido. — Ela é forte e vai vencer isso.
— E se ela nunca mais acordar? — soluçei, a ideia mais aterrorizante de todas saindo em um sussurro quebrado. — E se ela ficar assim pra sempre, por minha culpa?
— Ela vai acordar — o Eduardo disse, sua voz ganhando uma determinação feroz.
Ele se parou na minha frente, forçando-me a olhar para ele, seus olhos queimando com uma convicção absoluta. —
Você ouviu o que eu disse? Ela passou semanas com aqueles desgraçados e sobreviveu. Ela lutou naquele tempo e não vai desistir agora. Ela vai acordar, Lorena. Ela tem que acordar.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...