A porta do quarto fechou com um clique quase inaudível, mas para mim, soou como o fim de um mundo.
Aqui embaixo, na sala silenciosa, o ar ainda carregava o eco do desespero dela.
Eduardo estava parado perto da janela, olhando para o nada com o perfil duro como pedra.
Desci os últimos degraus, o peso de tudo começando a se acomodar nos meus ombros, um peso diferente da mira do rifle, mais complicado.
— Ela dormiu — disse, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia.
Ele apenas fez que sim com a cabeça, sem se virar.
— A culpa vai comer ela viva, Rafael. Você ouviu ela dizendo que tinha sido culpa dela.
— Ela vai aprender que não é e vai levar um tempo. — Aproximei-me, encostando na ombreira da porta.
A perna doía, um latejar constante e insistente, mas era o de menos.
— Conta a verdade sobre a família dela.
Eduardo suspirou, um som que parecia sair pesado.
E se virou, esfregando os olhos com o polegar e o indicador. A máscara de irmão protetor rachou por um segundo, mostrando a exaustão brutal por baixo.
— A família… — ele começou, hesitando. — Não contei tudo pra Lorena porque isso vai deixá-la mais triste.
Franzi a testa.
— Como assim?
— Entramos em contato e descobrimos que os pais da Joyce… são falecidos. Foi em um acidente de carro quando ela era adolescente e ela foi morar com uma tia.
Ele fez uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado, mas o desgosto era evidente.
— Pelo que consegui juntar, não foi… um lar e sim, negligência, no mínimo. A Joyce saiu de casa assim que pôde. A tia nem atendeu direito o telefone do hospital. Disse que tinha sua própria vida pra cuidar. A menina tá praticamente sozinha no mundo.
Um nó de raiva e de uma pena aguda se formou no meu peito.
Não conhecia a Joyce direito.
Apenas a vi uma vez na entrada da casa de Lorena, mas ela pareceu uma moça gentil. Ouvir aquilo… parecia errado. Uma vida de luta silenciosa, e agora isso.
— Ela não merecia — saiu de mim, baixo.
— Não. — A voz do Eduardo ficou rouca, embargada por uma emoção que ele tentou engolir.
Ele olhou para as mãos, como se ainda visse o sangue nelas.
— Quando ela foi baleada… eu corri, eu a peguei. Ela estava leve, tão leve, Rafael. E fria, o sangue era quente, mas ela tava ficando fria. E ela… ela não gritou, apenas chorava em silêncio. Sussurrava… — sua voz quebrou.
Ele respirou fundo, forçando as palavras a saírem.
— “Eu tentei ser forte.” Foi o que ela disse.
Calei-me.
Não havia nada a dizer para aquilo. Era o som da inocência sendo esmagada.
— E então — Eduardo continuou, erguendo o olhar, seus olhos queimando com uma intensidade febril —, mesmo assim, ofegante, ela agarrou minha camisa e pediu para não deixar nada acontecer com a Alana. A sua última preocupação foi com a minha sobrinha.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...