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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 456

A porta do quarto fechou com um clique quase inaudível, mas para mim, soou como o fim de um mundo.

Aqui embaixo, na sala silenciosa, o ar ainda carregava o eco do desespero dela.

Eduardo estava parado perto da janela, olhando para o nada com o perfil duro como pedra.

Desci os últimos degraus, o peso de tudo começando a se acomodar nos meus ombros, um peso diferente da mira do rifle, mais complicado.

— Ela dormiu — disse, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia.

Ele apenas fez que sim com a cabeça, sem se virar.

— A culpa vai comer ela viva, Rafael. Você ouviu ela dizendo que tinha sido culpa dela.

— Ela vai aprender que não é e vai levar um tempo. — Aproximei-me, encostando na ombreira da porta.

A perna doía, um latejar constante e insistente, mas era o de menos.

— Conta a verdade sobre a família dela.

Eduardo suspirou, um som que parecia sair pesado.

E se virou, esfregando os olhos com o polegar e o indicador. A máscara de irmão protetor rachou por um segundo, mostrando a exaustão brutal por baixo.

— A família… — ele começou, hesitando. — Não contei tudo pra Lorena porque isso vai deixá-la mais triste.

Franzi a testa.

— Como assim?

— Entramos em contato e descobrimos que os pais da Joyce… são falecidos. Foi em um acidente de carro quando ela era adolescente e ela foi morar com uma tia.

Ele fez uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado, mas o desgosto era evidente.

— Pelo que consegui juntar, não foi… um lar e sim, negligência, no mínimo. A Joyce saiu de casa assim que pôde. A tia nem atendeu direito o telefone do hospital. Disse que tinha sua própria vida pra cuidar. A menina tá praticamente sozinha no mundo.

Um nó de raiva e de uma pena aguda se formou no meu peito.

Não conhecia a Joyce direito.

Apenas a vi uma vez na entrada da casa de Lorena, mas ela pareceu uma moça gentil. Ouvir aquilo… parecia errado. Uma vida de luta silenciosa, e agora isso.

— Ela não merecia — saiu de mim, baixo.

— Não. — A voz do Eduardo ficou rouca, embargada por uma emoção que ele tentou engolir.

Ele olhou para as mãos, como se ainda visse o sangue nelas.

— Quando ela foi baleada… eu corri, eu a peguei. Ela estava leve, tão leve, Rafael. E fria, o sangue era quente, mas ela tava ficando fria. E ela… ela não gritou, apenas chorava em silêncio. Sussurrava… — sua voz quebrou.

Ele respirou fundo, forçando as palavras a saírem.

— “Eu tentei ser forte.” Foi o que ela disse.

Calei-me.

Não havia nada a dizer para aquilo. Era o som da inocência sendo esmagada.

— E então — Eduardo continuou, erguendo o olhar, seus olhos queimando com uma intensidade febril —, mesmo assim, ofegante, ela agarrou minha camisa e pediu para não deixar nada acontecer com a Alana. A sua última preocupação foi com a minha sobrinha.

Observei-o por mais um momento, a postura rígida, o jeito como ele falou “ela”. Talvez eu estivesse vendo coisas.

O cansaço distorce a visão.

Acenei, deixando para lá.

— Tá bem. — Ele pareceu se recompor um pouco, puxando a máscara de profissional de volta. — Preciso voltar pra delegacia. A caça ao Abismo não para e com o Thales morto… talvez a gente encontre mais pistas.

— Toma cuidado — disse.

Aquele homem não era apenas o irmão da Lorena agora; era alguém que tinha carregado o mesmo peso que eu, de formas diferentes.

— Sempre. — Ele me deu um aceno e saiu, a porta da frente fechando-se atrás dele com um baque mais solene.

A solidão da casa caiu sobre mim.

E com esse silêncio, veio o peso.

Vinte e três milhões encontrados. Vinte e sete milhões faltando.

Minha respiração ficou pesada. O orgulho, aquele companheiro fiel e arrogante que me mantinha de pé em tantas batalhas, deu um nó na minha garganta.

Pedir ajuda. Dessa vez, não era sobre força, ou homens, ou armas. Era sobre dinheiro.

Muito dinheiro.

Peguei o celular do bolso e o aparelho parecia pesar uma tonelada.

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