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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 457

O rodei nos dedos, sentindo o vidro frio. Cada segundo de hesitação era um segundo a mais que aquela dívida sangrenta pendia sobre a cabeça de Lorena e Alana.

Sobre o futuro que eu estava tentando construir a partir dos escombros.

Liguei e o toque pareceu ecoar na sala vazia.

Ele atendeu atendeu na segunda chamada.

— Diogo.

A voz do meu amigo veio calma, como se estivesse sorrindo um tempo antes… Mas mudou, ele reconheceu o meu tom.

— Rafael. Tudo em ordem?

Respirei fundo, tentando achar uma calma que não existia mais.

Minha voz saiu tensa, carregada de uma fadiga que ia até os ossos.

— Diogo… vou precisar da sua ajuda. Tua e do Alessandro.

Do outro lado, ouvi um suspiro. Não de irritação, mas de prontidão, ele sabia que quando eu pedia assim, o buraco era fundo.

— O que aconteceu?

Meus olhos subiram involuntariamente em direção ao teto, para onde ela dormia. Toda a razão disso.

Toda a minha fraqueza e a minha força. Eu não podia quebrar.

— Te explico quando nos encontrarmos. — A frase saiu curta, quase brusca.

Era tudo que eu conseguia dizer sem que a raiva, a frustração, a humilhação de ter que chegar a esse ponto transbordasse.

— Amanhã de manhã, no meu escritório.

Diogo não fez mais perguntas. Era um dos motivos pelo qual confiava nele com a minha vida.

— Certo.

Desliguei e apertei o celular com tanta força entre os dedos que o plástico rangiu. Mais de vinte milhões.

A cifra girava na minha cabeça como um parafuso apertando minha têmpora.

Isso… podia quebrar a minha empresa.

O que construí com as próprias mãos, suor e uma porção de jogadas arriscadas que deram certo.

Não era só um negócio, era a prova de que eu tinha conseguido superar muitas coisas…

Era um empreendedor agora e tinha funcionários, dezenas deles, que dependiam daquilo para comer e sustentar as famílias.

Fechar as portas? Mandar todo mundo embora? Me tornar, de novo, o motivo de gente perdendo o sustento?

Meu estômago embrulhou.

A empresa do meu pai quase faliu quando eu era adolescente. Lembro do olhar vazio dele, da sensação de falha que impregnou a casa. Eu jurei que nunca seria aquilo.

E agora, por causa de um lixo como o Thales, por causa de uma dívida de jogo com os fantasmas do Eclipse… eu estava prestes a jogar tudo fora?

Para limpar a merda dele? A raiva que eu pensei ter extinguido com a bala na sua testa voltou, fresca e fervente.

Quase conseguia sentir o cheiro de sangue e pólvora de novo.

Mas aí, a imagem da Lorena, dormindo um sono inquieto lá em cima, se sobrepôs. A confiança nos olhos dela quando me olhava.

A forma como a Alana tinha me aceito e a promessa que eu tinha feito a mim mesmo de protegê-las de tudo, para sempre.

Não podia deixar essa espada pendendo sobre elas.

Os Selos não eram brincadeira. A palavra deles, uma vez dada, tinha valor. Mas a ameaça à família dela? Isso estava fora de questão.

Minha mãe estava em silêncio, lavando algumas tigelas na pia, mas senti o olhar dela em mim.

Um olhar pesado, cheio de perguntas e de uma esperança cautelosa que ela não ousava verbalizar.

Enquanto eu comia, Alana terminou seu suco e ficou olhando para as mãos no colo, agora quieta.

O nervosismo parecia voltar, como se a tarefa de comer tivesse acabado e ela não soubesse o que fazer a seguir.

— A mamãe… — ela começou, a voz um fio de som.

— Está dormindo — respondi rápido, suavemente. — Está tudo bem, ela só está muito cansada. Você pode terminar de comer com calma, e depois eu te levo pra ficar com ela, se quiser.

O seu rosto se iluminou com um brilho rápido, mas intenso. Ela assentiu com a cabeça, e um fio de chocolate no canto da boca me fez sorrir de novo.

Quando ela terminou, limpei o seu rosto com um guardanapo com cuidado, e ela me permitiu, ficando parada.

— Pronta? — perguntei, estendendo a mão.

Ela olhou para minha mão por um segundo que pareceu uma eternidade.

Então, sua mão pequena e fina deslizou na minha, se encaixando com uma confiança frágil que me comoveu.

Segurei com firmeza, mas sem apertar, e a guiei para fora da cozinha.

Senti os olhos da minha mãe e de Milena seguindo a gente, e um peso de responsabilidade, mas também de um orgulho estranho me acompanhou pelos corredores.

Subimos as escadas em silêncio e quando chegando à porta do meu quarto, fiz um gesto para que ficasse quieta e abri a porta lentamente.

Lorena estava lá, deitada de lado, coberta até o queixo, com a respiração profunda e regular.

Seus cabelos dourados se espalhavam no travesseiro, e no sono, ela parecia ainda mais jovem e vulnerável. Meu coração deu uma volta, aquecendo-se de um amor tão intenso que, por um segundo, doeu.

— Shhh — sussurrei para Alana, ajoelhando ao lado dela. — Ela está dormindo. Você quer deitar um pouco também? Ficar perto dela?

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