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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 458

Ela olhou para a cama e depois para mim. Seus olhos estavam sérios e então acenou com a cabeça, em um gesto decidido.

A ajudei a subir na cama com todo o cuidado do mundo, como se fosse de porcelana. Tirei as sandálias simples que ela usava e Alana se deixou guiar, seus olhos sempre fixos em Lorena.

Quando a cobri com a coberta, bem ao lado dela, Alana se virou instantaneamente e se agarrou ao braço de Lorena, enterrando o rosto no ombro da mãe.

Lorena se mexeu, e um resmungo sonolento escapou. Seus olhos se abriram, confusos por um segundo, piscando na penumbra.

Ela olhou ao redor, sentindo o peso no braço, e seus olhos encontraram os de Alana, bem perto do seu rosto.

O que vi então foi mágica.

Toda a confusão do sono se dissolveu, substituída por um sorriso. Não um sorriso grande, mas um verdadeiro, suave, que nasceu dos olhos e tomou todo o seu rosto.

Era um sorriso de reconhecimento, de aceitação imediata. Ela não pareceu surpresa, mas sim… completa.

— Rafa… — ela murmurou, sua voz rouca de sono.

Eu me aproximei da beira da cama e ela estendeu a mão livre para mim, os dedos encontrando os meus.

Olhou para Alana, agora aconchegada nela, e depois para mim e seu olhar disse tudo.

Ela está aqui, segura e conosco.

Eu suspirei, um suspiro que veio das profundezas da minha exaustão, mas também de um alívio que eu não sabia que precisava.

A ideia de sair dali, de deixá-las, era impossível. Eu também estava esgotado, física e emocionalmente.

— Dá pra fazer um espaço aí pra mim? — perguntei, baixinho, com um meio-sorriso nos lábios.

Lorena sorriu mais uma vez e, com cuidado para não perturbar Alana, se moveu para o centro da cama grande, criando um espaço ao seu lado. Alana, como um filhote, se reajustou, ficando coladinha nela, a cabeça no peito de Lorena.

Me deitei do outro lado, afundando no colchão com um gemido baixo de alívio.

Lorena imediatamente apoiou a cabeça no meu peito, seu corpo se moldando ao meu lado como se pertencesse ali e fosse a peça que faltava.

Sentir o seu calor e o cheiro familiar do seu shampoo, fez com que uma paz começasse a se instalar.

Do outro lado dela, os olhos de Alana estavam abertos, observando a gente no escuro.

O que se passava naquela cabecinha? Medo? Confusão? Esperança? Eu não sabia.

Mas ela nos observou por um longo momento, em silêncio, e então, como se chegasse a uma conclusão, se aninhou ainda mais fundo no colo da mãe, fechando os olhos.

Eu beijei o topo da cabeça de Lorena, sentindo os fios macios contra meus lábios.

— Tá tudo bem — sussurrei, mais para mim mesmo do que para ela.

Fechei os olhos, deixando o peso do dia e o calor delas me envolverem.

Fiquei ouvindo e aos poucos, a respiração de Lorena ficou mais lenta, mais profunda, caindo no ritmo tranquilo do sono. Pouco depois, um padrão parecido, um pouco mais ofegante no começo, mas depois se acalmando, veio de Alana.

Elas haviam caído no sono.

Só então, com a certeza de que elas estavam em paz, que meu mundo estava calmo, é que eu consegui soltar a tensão que prendia meus músculos.

A exaustão venceu, mas era uma exaustão diferente. Não era o cansaço pesado da angústia. Era um cansaço limpo, de batalha dada.

E, pela primeira vez em muitas noites, adormeci com uma leveza estranha no peito, e uma calma que eu quase não reconhecia, mas que aceitei de braços abertos, ali, no escuro, com o calor das duas pessoas que, de repente, eram meu mundo inteiro.

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