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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 459

Ele me olhou nos olhos, e vi a mesma determinação refletida neles.

— Exatamente.

Nos levantamos com cuidado para não perturbar o sono de Alana. Ela nem se mexeu, o que era um pequeno milagre.

Rafael apontou para uma poltrona no canto.

— Pedi a Milena algumas roupas dela até você ter as suas de volta.

— Obrigada — sussurrei, tocando o tecido macio de uma camiseta.

Ele sorriu e foi até o banheiro, me dando privacidade. Me troquei rápido, e quando ele voltou, já estava pronta.

Ficamos um último momento na porta, olhando para a cama. Alana, um pequeno montinho sob os cobertores, parecia finalmente em paz.

Descemos as escadas em silêncio, mas meu pensamento já estava à frente, querendo falar com meu irmão.

Precisava perguntar ao Eduardo sobre a Célia e o que tinha acontecido com aquela mulher no meio do caos que o filho dela criou? Era mais uma ponta solta.

Quando descemos para a cozinha, foi como entrar em um outro mundo.

Um mundo cheiroso, quente e seguro, tão diferente dos últimos dias de adrenalina e medo.

A luz da tarde já estava dourada, entrando pela janela e iluminando a mesa de madeira rústica onde Milena estava sentada, lendo algo no tablet.

Ela ergueu os olhos quando entrei, e um sorriso genuíno iluminou seu rosto. Milena sempre teve um jeito calmo, uma serenidade que era contagiante.

— Lorena — disse ela, fechando a capa do tablet. — Você parece melhor. Como está se sentindo?

— Muito melhor, obrigada — respondi, e a gratidão transbordou antes que eu pudesse conter. — E muito obrigada pelas roupas, Milena. Eu nem tinha pensado nisso.

Ela fez um gesto despreocupado com a mão como se não fosse nada.

— Não foi nada, querida. É o mínimo e você precisa se sentir confortável.

Foi então que a mãe de Rafael surgiu carregando uma tigela fumegante. Seu rosto se iluminou ao me ver.

— Minha querida, aqui, toma uma canja de galinha, feita com o mimo de sempre. Você precisa recuperar as forças e se cuidar.

Ela colocou a tigela na minha frente, e o cheiro que subiu foi um convite direto à minha alma cansada.

Segurei a colher e senti um quentinho por dentro que nada tinha a ver com a temperatura da comida.

Enquanto eu dava a primeira colherada, deliciosa e reconfortante, uma pontada de tristeza me atingiu.

Minha antiga sogra, a mãe do Thales, era veneno puro. Cada palavra dela era uma agulha, cada olhar uma acusação.

E aqui estava a mãe de Rafael, acabando de me conhecer e já me tratando como uma filha que voltou para o ninho. A diferença era tão brutal que doía.

E doía ainda mais porque me fez pensar nos meus próprios pais. A saudade apertou meu peito com uma força que quase me fez soltar a colher.

Como estariam? Eu precisava vê-los e que eles vissem que eu estava viva, que a neta deles estava segura.

Rafael se sentou ao meu lado na bancada, com sua própria tigela de canja.

— O que foi? — perguntou, baixinho, enquanto começava a comer.

Ergui os olhos para ele, e as palavras saíram com um suspiro.

— Preciso ver meus pais. Eles devem estar muito preocupados.

Ele não hesitou e assentiu com a cabeça, em um gesto de completa compreensão.

— Eu sei e a gente vai. Amanhã mesmo, se você estiver com disposição. Hoje… você precisa descansar. O corpo e a cabeça precisam de um tempo pra entender que a guerra acabou.

Ele estava certo.

Olhei pela janela vendo que o céu já estava pintado de tons de laranja e roxo, anunciando o crepúsculo.

Ir até a casa dos meus pais agora, com o cansaço pesando nos meus ossos e a emoção ainda tão à flor da pele, não seria justo com eles nem comigo.

— Estamos bem e seguras agora. — garanti, e foi bom dizer aquilo em voz alta. — Escuta, eu preciso te perguntar uma coisa. A Célia, mãe do Thales. Você sabe o que aconteceu com ela? Ela estava na casa, dormindo, quando eu… quando tudo aconteceu. Eu fugi e não pensei mais nela até agora.

A voz do meu irmão mudou instantaneamente, ficou mais dura, mais séria.

— Sim. O Rafael me contou tudo sobre ela fazer parte do esquema do Thales, e ajudar a te manter praticamente em cativeiro naquela casa, te trancando, sendo conivente com tudo…

Um frio percorreu minha espinha, mas não era medo. Era uma confirmação sombria.

— E aí? — perguntei, minha voz saindo mais firme do que eu esperava.

— Ela foi presa na mesma noite. Quando a polícia chegou, ela tentou se fazer de vítima, disse que você era a louca, que estava a envenenando aos poucos, que ela era uma idosa indefesa… — a voz do Eduardo estava carregada de desprezo.

Instintivamente, me virei e olhei para Rafael. Meus olhos devem ter transmitido um pânico súbito, porque ele parou de comer e franziu a testa, preocupado.

Mas eu abanei a cabeça rapidamente e ele entendeu, mas não desviou o olhar.

— Talvez seja um pouco de verdade… — sussurrei no telefone, minha voz trêmula de raiva e um pouco de medo.

Meu irmão ficou em silêncio por um momento e um sorrisinho escapou dele.

— Não se preocupe com isso, você estava apenas tentando sobreviver. A perícia na casa, os relatos, o histórico… ela se mostrou extremamente agressiva com os policiais também. Gritou, cuspiu, tentou arranhar. Perdeu completamente a máscara de senhora frágil.

Ele fez uma pausa.

— Ela vai ficar presa e passar por um julgamento. E você, infelizmente, vai ter que depor contra ela. Mas até lá, ela não vai ver a luz do sol de um lugar que não seja atrás das grades.

Senti as pernas ficarem fracas sentindo um alívio me dominar. A cobra tinha sido pega.

A mulher que sorria enquanto eu apanhava, que escondia as chaves, que envenenava o ar daquela casa com sua maldade passiva-agressiva, estava onde merecia.

— Eduardo… — minha voz falhou.

— Eu vou fazer de tudo, irmã — a voz do meu irmão veio baixa, mas com uma determinação de aço. — Tudo que estiver ao meu alcance para que ela apodreça na cadeia pelo que fez com você. Por cada dia de medo, por cada porta trancada. Ela vai pagar.

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