Ele me olhou nos olhos, e vi a mesma determinação refletida neles.
— Exatamente.
Nos levantamos com cuidado para não perturbar o sono de Alana. Ela nem se mexeu, o que era um pequeno milagre.
Rafael apontou para uma poltrona no canto.
— Pedi a Milena algumas roupas dela até você ter as suas de volta.
— Obrigada — sussurrei, tocando o tecido macio de uma camiseta.
Ele sorriu e foi até o banheiro, me dando privacidade. Me troquei rápido, e quando ele voltou, já estava pronta.
Ficamos um último momento na porta, olhando para a cama. Alana, um pequeno montinho sob os cobertores, parecia finalmente em paz.
Descemos as escadas em silêncio, mas meu pensamento já estava à frente, querendo falar com meu irmão.
Precisava perguntar ao Eduardo sobre a Célia e o que tinha acontecido com aquela mulher no meio do caos que o filho dela criou? Era mais uma ponta solta.
Quando descemos para a cozinha, foi como entrar em um outro mundo.
Um mundo cheiroso, quente e seguro, tão diferente dos últimos dias de adrenalina e medo.
A luz da tarde já estava dourada, entrando pela janela e iluminando a mesa de madeira rústica onde Milena estava sentada, lendo algo no tablet.
Ela ergueu os olhos quando entrei, e um sorriso genuíno iluminou seu rosto. Milena sempre teve um jeito calmo, uma serenidade que era contagiante.
— Lorena — disse ela, fechando a capa do tablet. — Você parece melhor. Como está se sentindo?
— Muito melhor, obrigada — respondi, e a gratidão transbordou antes que eu pudesse conter. — E muito obrigada pelas roupas, Milena. Eu nem tinha pensado nisso.
Ela fez um gesto despreocupado com a mão como se não fosse nada.
— Não foi nada, querida. É o mínimo e você precisa se sentir confortável.
Foi então que a mãe de Rafael surgiu carregando uma tigela fumegante. Seu rosto se iluminou ao me ver.
— Minha querida, aqui, toma uma canja de galinha, feita com o mimo de sempre. Você precisa recuperar as forças e se cuidar.
Ela colocou a tigela na minha frente, e o cheiro que subiu foi um convite direto à minha alma cansada.
Segurei a colher e senti um quentinho por dentro que nada tinha a ver com a temperatura da comida.
Enquanto eu dava a primeira colherada, deliciosa e reconfortante, uma pontada de tristeza me atingiu.
Minha antiga sogra, a mãe do Thales, era veneno puro. Cada palavra dela era uma agulha, cada olhar uma acusação.
E aqui estava a mãe de Rafael, acabando de me conhecer e já me tratando como uma filha que voltou para o ninho. A diferença era tão brutal que doía.
E doía ainda mais porque me fez pensar nos meus próprios pais. A saudade apertou meu peito com uma força que quase me fez soltar a colher.
Como estariam? Eu precisava vê-los e que eles vissem que eu estava viva, que a neta deles estava segura.
Rafael se sentou ao meu lado na bancada, com sua própria tigela de canja.
— O que foi? — perguntou, baixinho, enquanto começava a comer.
Ergui os olhos para ele, e as palavras saíram com um suspiro.
— Preciso ver meus pais. Eles devem estar muito preocupados.
Ele não hesitou e assentiu com a cabeça, em um gesto de completa compreensão.
— Eu sei e a gente vai. Amanhã mesmo, se você estiver com disposição. Hoje… você precisa descansar. O corpo e a cabeça precisam de um tempo pra entender que a guerra acabou.
Ele estava certo.
Olhei pela janela vendo que o céu já estava pintado de tons de laranja e roxo, anunciando o crepúsculo.
Ir até a casa dos meus pais agora, com o cansaço pesando nos meus ossos e a emoção ainda tão à flor da pele, não seria justo com eles nem comigo.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...