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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 460

Um nó na garganta me impediu de falar por um segundo. Senti os olhos queimarem, mas não de tristeza. De uma gratidão feroz.

— Obrigada, Edu — consegui dizer, com a voz rouca. — Obrigada.

— Descanse, irmã. Amanhã a gente se vê, vou levar nossos pais pra te ver.

Desligamos.

A justiça, era lenta e imperfeita, mas estava funcionando. Uma das sombras que me assombravam estava contida.

Devolvi o celular a Rafael e ele me estudou, vendo a turbulência nos meus olhos.

— Célia foi presa — disse, e minha voz estava estranhamente calma. — Ela tentou dizer que eu a envenenava. Mas ninguém acreditou e ela vai ser julgada.

Rafael não pareceu surpreso.

Seu rosto ficou sério, e ele passou o braço por trás dos meus ombros, me puxando para perto em um abraço firme e protetor.

— Era o que ela merecia — ele murmurou, sua voz um rosnado baixo perto do meu ouvido. — E você nunca mais vai ter que vê-la depois do julgamento.

Apoiei a cabeça no ombro dele, fechando os olhos.

***

O amanhecer trouxe consigo uma luz mais suave, mas também uma ansiedade nova, que latejava no meu peito como um segundo coração.

O cansaço ainda estava entranhado nos meus ossos, uma lembrança pesada dos dias anteriores, mas agora ele era sobreposto pela expectativa.

Hoje, Eduardo viria e ele traria meus pais.

Tinha dormido mais um pouco, com Alana aconchegada a mim, mas notei que Rafael não havia dormido de verdade.

Quando acordei de um sono leve, ele já estava acordado, deitado ao meu lado, olhando o teto.

A linha de preocupação entre suas sobrancelhas estava lá, profunda.

Eu o conhecia e algo o incomodava, alguma coisa que ele não quis me contar, talvez para não me sobrecarregar.

Suspirei baixinho, deixando-o com seus pensamentos por enquanto. Quando acordei de novo, ele não estava mais no quarto…

O sol finalmente rompeu as nuvens e pintou o quarto de dourado, então eu me levantei.

Fui até Alana, que dormia como um anjo, o rosto sereno e limpo de qualquer sombra.

A acordei com beijos suaves, e ela abriu os olhos, ainda turvos de sono, mas com um sorriso pequeno tocou seus lábios ao me ver.

Meu coração deu um salto, aquele sorriso era um tesouro.

Levei-a para o banho, um ritual simples que agora parecia um luxo de normalidade.

Ensaboei seu cabelo, lavei seu rostinho, e ela ficou parada, deixando-se cuidar, com seus olhos grandes me observando com uma confiança que me enchia de uma coragem que eu não sabia que tinha.

Descemos para a cozinha, e o cheiro que nos recebeu era de paraíso.

A mãe de Rafael tinha preparado um café da manhã dos deuses com pão caseiro ainda quente, queijo fresco, ovos mexidos cremosos… A mesa estava posta, e todos já estavam sentados.

Rafael nos viu e se levantou, puxando uma cadeira para mim e outra para Alana, ao meu lado.

Seu toque nas minhas costas foi rápido, mas firme. Nos sentamos e comecei a colocar comida no prato de Alana, que olhava tudo com uma curiosidade silenciosa.

Enquanto comíamos, em um silêncio confortável quebrado apenas pelo barulho dos talheres, observei Milena.

Ela parecia distante.

Olhava para a xícara de café como se visse algo além do líquido escuro, seus dedos tamborilando levemente na mesa.

Algo a preocupava.

Uma ponta de inquietação me cutucou. O que seria? O dia de ontem tinha sido intenso para todos nós.

Estávamos terminando o café quando o som chegou de um carro estacionando.

Meu coração disparou, e um frio de nervosismo correu pela minha espinha. Me levantei tão rápido que a cadeira fez um ruído no chão.

Quando finalmente nos separamos, todos com os rostos lavados e os olhos vermelhos, mas com um brilho novo neles, meus pais me seguraram pelas mãos, como se temessem que eu fosse desaparecer de novo.

— Eduardo nos contou tudo, Lorena — meu pai disse, a voz grave e carregada de uma fúria contida que eu nunca tinha ouvido nele. — Tudo que aquele… monstro fez com você. — Ele engoliu em seco, os olhos faiscando.

Minha mãe, que estava agora com Alana no colo, apenas acariciou meu rosto, seus dedos ásperos de trabalho traçando minhas bochechas.

— Você está aqui e viva. É o que importa. Vocês duas.

Senti um nó na garganta, mas agora era um nó de algo bom, de amor transbordante.

Sorri para eles, um sorriso franco, ainda com as marcas das lágrimas.

— Estou e estou bem. Agora.

Foi então que me lembrei.

Me virei, buscando Rafael com os olhos. Ele estava alguns passos atrás, dando-nos espaço, observando a cena com uma expressão que era uma mistura de alívio e de uma tensão própria.

Puxei-o gentilmente para perto de mim, sentindo a solidez do seu braço sob minha mão.

— Pai, Mãe… este é o Rafael — disse, e de repente, uma onda de timidez me atingiu.

O que éramos? Nunca tínhamos rotulado. Éramos… o abrigo um do outro. O amor no meio do caos. Mas na frente dos meus pais, isso parecia frágil demais.

Meu pai estudou Rafael. Seus olhos, ainda úmidos, ficaram sérios e avaliadores. Ele soltou minhas mãos e se aproximou um passo de Rafael.

Era um homem de estatura média, mas naquele momento, parecia maior.

— Você é o namorado da minha filha? — a pergunta foi direta, sem rodeios, carregada de toda a proteção de um pai que tinha visto sua menina ser destruída por um homem.

Eu senti o calor subir para meu rosto. Rafael, porém, não hesitou.

Ele endireitou os ombros e olhou diretamente nos olhos do meu pai, com uma confiança calma que me surpreendeu.

— Sim, senhor — disse, com a voz clara e firme. — Eu sou. E eu amo a sua filha. Mais do que qualquer coisa neste mundo.

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