Meu pai ficou em silêncio por um momento que pareceu durar uma era, seus olhos escaneando o rosto de Rafael, buscando mentiras ou sinais do mesmo veneno que conhecera em Thales.
Rafael continuou, sua voz baixando um pouco, mas ganhando uma intensidade ainda maior.
— Eu sei o que ela passou e juro para o senhor, com todo o respeito e com a minha vida, que eu não sou o Thales. Nunca levantaria a mão para ela. Nunca a trancaria, e nem a faria sentir um pingo do medo que ela sentiu. Meu único trabalho, daqui para frente, é cuidar dela e da Alana. Dar a elas a segurança e a paz que merecem. Pode confiar em mim.
A sala ficou em silêncio. Até minha mãe parou de chorar baixinho e ficou observando. Eu estava sem ar, meu coração batendo forte, esperando.
Então, algo se quebrou no rosto do meu pai. A rigidez da desconfiança deu lugar a uma onda de emoção.
Seus olhos se encheram de lágrimas novamente, e ele deu um passo à frente, estendendo os braços.
— Tome conta dela, rapaz — ele disse com a voz falhando, e puxou Rafael para um abraço forte, cheio de uma gratidão imensa e de uma esperança renovada. — Por favor, tome conta da minha menina.
Rafael abraçou meu pai de volta, e eu vi seus olhos se fecharem por um segundo, como se aceitasse um juramento solene.
— Vou cuidar, senhor. Pode ter certeza.
Enquanto isso, minha mãe havia se ajoelhado ao lado da cadeira onde Alana estava, observando tudo com seus olhos sérios.
Minha mãe falava com ela em voz baixa, suave, e Alana estendeu os bracinhos para ela. Minha mãe a pegou no colo, aconchegando-a, e Alana se aninhou ali, como se aquele colo fosse o lugar mais natural do mundo.
Um pedaço do meu coração, que eu nem sabia que ainda estava ferido, se curou naquele instante.
Olhei aquela cena toda do meu pai abraçando Rafael, minha mãe embalando minha filha, Eduardo ao meu lado com um sorriso cansado mas verdadeiro e uma sensação de completude, de pertencimento, me inundou.
Era isso. Era o meu lugar. Essas eram as minhas pessoas.
Foi então que me virei para Eduardo.
A preocupação com Joyce ainda era uma sombra nos meus pensamentos.
— E a Joyce, Edu? — perguntei, baixinho.
A expressão dele mudou.
O sorriso ficou mais fraco, mas ainda estava lá.
— Fiquei no hospital a noite toda com ela. Ela está estável, o corpo está reagindo bem à cirurgia, os médicos disseram que foi um milagre ela ter sobrevivido à perda de sangue. — ele respirou fundo. — Ela ainda não acordou. Vão mantê-la em coma induzido por mais uns três dias, para garantir uma boa recuperação, e aí vão tentar acordá-la aos poucos. É… é uma espera.
A notícia era pesada, mas não desesperadora. Ela estava estável e reagindo bem.
Eram palavras boas.
— Eu quero vê-la, Edu. Assim que puder.
Ele colocou a mão no meu ombro.
— Eu te levo hoje mesmo, se você quiser e se sentir disposta.
— Quero — disse, imediatamente.
(Visão de Rafael)
O almoço tinha sido um daqueles momentos que ficam gravados.
Ver Lorena cercada pela família dela, vendo Alana nos braços da avó, sentir a aceitação cautelosa mas genuína do seu pai… tinha sido um remédio para a alma.
Por umas horas, consegui focar só naquilo. No seu sorriso, que agora vinha mais fácil e n leveza que voltava aos seus ombros.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...