~ BIANCA ~
Atendi a ligação com o coração batendo descompassado, levando o celular ao ouvido antes mesmo de processar completamente que era uma videochamada.
— Alô?
— Tia Bia!
Não era a voz de Nico
Era Bella.
A tela do celular mostrava o rostinho animado da menina, seus olhos brilhando, um sorriso enorme ocupando metade da tela porque ela estava segurando o telefone perto demais do rosto.
— Bella! — exclamei, e não consegui evitar o sorriso que se formou instantaneamente nos meus lábios, mesmo através da decepção que apertou meu peito. — Oi, meu amor! Que surpresa boa!
Mas não era. Não completamente. Porque por uma fração de segundo, quando tinha visto o nome "Nico" na tela, meu coração tinha saltado com expectativa. Tinha imaginado ouvir a voz dele, grave e calorosa. Tinha imaginado ver aqueles olhos verdes me olhando através da tela.
E em vez disso era Bella. Que eu adorava, que sentia falta, mas que não era ele.
E essa realização me incomodou mais do que deveria.
— Olha! — Bella virou o telefone tão rápido que tudo ficou borrado por um segundo, depois focou em algo que ela estava segurando. — Fiz um desenho de nós!
Levou alguns segundos para meus olhos ajustarem e verem o que ela estava mostrando. Era um desenho colorido com giz de cera. Três figuras: uma pequena no meio, uma maior de cada lado. A figura à esquerda tinha cabelo comprido e algo que parecia uma estrela no pescoço.
— Está lindo — disse honestamente, sentindo algo apertar no meu peito. — Somos nós assistindo desenho.
— Sim! — Bella virou o telefone de volta para mostrar seu rosto radiante. — Você se lembra!
— Claro que lembro — respondi, me acomodando melhor na cama, limpando discretamente os últimos vestígios de lágrimas que ainda podiam estar visíveis. — Como você poderia me deixar esquecer? Você falou daquele desenho.
Bella riu, aquela risada cristalina de criança que não tinha preocupações reais no mundo.
— E como está a escola? — perguntei, entrando no modo de conversa com criança que tinha se tornado surpreendentemente natural durante aqueles dias na pousada. — Aprendeu coisas novas?
— Aprendi sobre as estações do ano! — disse Bella animadamente. — E sobre como as plantas crescem. A professora disse que na primavera tudo fica mais bonito e as flores aparecem e...
Ela continuou falando, suas palavras se atropelando na empolgação típica de crianças de seis anos quando encontram um tópico que as interessa. Contou sobre a amiguinha nova na escola, sobre como tinham brincado no recreio, sobre o livro que a professora tinha lido para a turma.
— E a pousada? — perguntei quando ela finalmente parou para respirar. — Como estão as coisas por aí?
— Tem bastante gente esse fim de semana — disse Bella. — Papai disse que vieram de bicicleta de muito longe. E a nonna fez bolo de chocolate para o café da manhã e deixou eu ajudar a decorar!
— Aposto que ficou delicioso.
— Ficou! — concordou Bella. — Eu comi dois pedaços e papai disse que ia ficar com dor de barriga mas não fiquei.
Continuamos conversando, Bella pulando de assunto em assunto da forma caótica mas adorável que crianças fazem. Mostrou o colar que ainda usava e contou que uma menina na escola tinha achado lindo e perguntado onde tinha comprado.
Estava tão absorta na conversa que não ouvi os passos se aproximando do outro lado da linha até ser tarde demais.
— Isabella Montesi!
A voz de Nico explodiu através do telefone, alta e claramente irritada.
Vi Bella se encolher levemente, seus olhos arregalando enquanto virava o telefone na direção da porta do quarto.
— O que nós conversamos sobre pegar meu celular sem pedir? — Nico entrou no campo de visão da câmera, e meu estômago deu um salto involuntário só de vê-lo.
Ele usava uma camiseta simples e jeans, o cabelo ligeiramente bagunçado, uma expressão de frustração parental no rosto.
— Desculpa, papai — disse Bella, sua vozinha ficando pequena. — É que eu tava com saudades da tia Bia. Queria falar com ela.
Gaguejei, minha boca abrindo e fechando sem formar palavras coerentes.
— Eu pensei... eu..
Meus olhos foram automaticamente para Nico, procurando... o quê? Permissão? Confirmação de que seria bem-vinda? Algum sinal de que ele queria me ver tanto quanto Bella aparentemente queria?
Mas ele interpretou meu olhar de forma completamente diferente. Vi em seu rosto. A forma como seus olhos se estreitaram levemente, como sua mandíbula se apertou.
Ele achou que eu estava procurando uma desculpa. Um jeito de sair dessa promessa que tinha feito para uma criança sem pensar completamente nas consequências.
— A tia Bianca está muito ocupada, meu amor — disse Nico, sua voz gentil para Bella mas seus olhos ainda em mim. — Ela tem muito trabalho importante em Florença.
— Mas... — comecei a protestar, querendo corrigir, querendo explicar que não era isso, que eu queria ir, que só estava procurando confirmação de que seria bem-vinda.
Mas Nico já estava se despedindo.
— Diga tchau para a tia Bianca, Bella.
— Tchau, tia Bia — disse Bella, sua voz pequena agora, carregada de tristeza que partiu meu coração. — Te amo.
— Eu também te amo, meu amor — consegui dizer através da pressão na minha garganta.
— Tchau, Bianca — disse Nico, formal, educado, distante. Como se estivesse falando com uma conhecida casual e não com alguém com quem tinha passado a noite entrelaçado apenas um mês atrás.
E então a tela ficou preta.
Ligação encerrada.
Fiquei ali sentada na cama, olhando para a tela escura do celular na minha mão, tentando processar o que tinha acabado de acontecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...