~ BIANCA ~
Foda-se.
Foi literalmente o único pensamento coerente que consegui formar enquanto me levantava da cama e ia direto para o closet.
Foda-se a hora. Foda-se o bom senso. Foda-se esperar até amanhã ou pensar melhor ou qualquer outra coisa racional que uma COO de uma empresa multinacional deveria fazer.
Ia até Montepulciano. Agora. Hoje. Ou tecnicamente amanhã já que quase passava da meia-noite, mas o ponto era: ia.
Peguei uma mala pequena e comecei a jogar coisas dentro. Roupa. Qualquer roupa. Peguei a primeira calça jeans que vi, três blusas aleatórias, roupa íntima suficiente para alguns dias. Produtos de higiene da gaveta do banheiro foram direto para a nécessaire sem cerimônia.
Fechei a mala com um zip decidido, vesti a primeira roupa confortável que encontrei — legging e moletom, porque dirigir de madrugada exigia conforto —, joguei um casaco por cima e fui procurar as chaves do carro.
Que não estavam onde sempre deixava.
Franzi a testa, verificando o gancho ao lado da porta onde as chaves sempre, sempre ficavam penduradas.
Nada.
— Você está brincando comigo — murmurei para o universo, começando a procurar pela casa.
Mesa da sala. Não. Balcão da cozinha. Não. Criado-mudo do quarto. Não. Bolsa. Não, porque tinha trocado de bolsa e...
Encontrei as chaves dentro da bolsa antiga que ainda estava jogada no sofá.
— Finalmente — disse em voz alta, pegando as chaves com sensação de vitória.
Desci até a garagem do prédio, joguei a mala no banco de trás, entrei no carro e liguei o motor.
O GPS mostrava uma hora e meia até Montepulciano, considerando que era madrugada e não teria trânsito.
Saí da garagem com determinação renovada.
Determinação que durou exatos quinze minutos até encontrar uma placa enorme de "DESVIO - OBRA NA VIA".
— Não — disse para a placa, como se pudesse convencê-la a desaparecer. — Não, não, não.
Mas a placa permaneceu teimosamente real, assim como os cones laranjas bloqueando a estrada e o guarda entediado gesticulando para eu seguir o desvio.
Segui as placas do desvio, que me levaram por ruas secundárias que definitivamente não eram o caminho mais rápido. O GPS ficou confuso, recalculando a cada dois minutos, me mandando fazer retornos impossíveis.
— "Vire à esquerda em duzentos metros" — imitei a voz robótica do GPS com sarcasmo. — Não tem esquerda aqui, sua idiota digital!
Eventualmente consegui voltar para uma estrada principal. Respirei fundo, tentando me acalmar.
Estava tudo bem. Era só um pequeno contratempo.
Foi quando começou a chover.
Não uma chuvinha leve e romântica. Não. Um dilúvio completo e absoluto que transformou o para-brisa em uma cachoeira mesmo com os limpadores no máximo.
— Você está brincando comigo! — gritei para o céu, reduzindo a velocidade porque mal conseguia ver a estrada.
O vento começou a soprar também, sacudindo o carro de formas que não eram nem um pouco reconfortantes.
Estava tão focada em manter o carro na estrada, em enxergar através da cortina de água, que quase não ouvi.
Thump thump thump thump.
Um som rítmico, estranho, vindo de algum lugar do carro.
— Não — sussurrei, reconhecendo o som. — Por favor, não.
THUMP THUMP THUMP THUMP.
O carro começou a puxar para a esquerda. O volante ficou mais pesado nas minhas mãos.
Pneu furado.
Claro. Claro que era pneu furado.
Porque aparentemente o universo tinha decidido que esta noite seria uma comédia de erros destinada especificamente a me humilhar.
Desisti. Oficialmente desisti de trocar o pneu sozinha.
Voltei para dentro do carro, tremendo de frio, e peguei o celular. Liguei para o seguro do carro, esperando que pudessem mandar um reboque. A ligação caiu na primeira tentativa. Na segunda, consegui falar com alguém.
— O tempo de espera estimado é de duas a três horas — informou a atendente com voz monótona. — A tempestade causou vários acidentes na região e nossos reboques estão todos ocupados no momento.
Três horas. Esperando na chuva. No frio.
Não.
Rolei meus contatos procurando por alguém, qualquer um que pudesse vir me buscar a essa hora insana, e meu dedo parou sobre um nome.
Ele ia rir de mim. Ia fazer piadas. Ia ser insuportável.
Mas ele viria.
— Você morreu? — foi como Dante atendeu, sua voz rouca de sono mas sem hesitação.
— Quase — respondi, meus dentes começando a bater. — Pneu furou. Estou na estrada para Montepulciano. Você pode...
— Manda a localização — interrompeu, e ouvi barulho de movimento do outro lado. — Vou aí.
Enviei minha localização e desabei de volta no banco do motorista.
Dante levou quarenta minutos. Quarenta minutos que pareceram horas, sentada ali tremendo de frio, assistindo os faróis de carros ocasionais passarem sem parar.
Quando finalmente vi o carro dele parando ao lado do meu carro, quase chorei de alívio. Peguei minha mala com mãos tremendo e corri até o carro dele. Abri a porta do passageiro e praticamente caí no banco, deixando lama e água por todo o estofamento de couro caro.
Dante me olhou.
Eu estava coberta de lama da cabeça aos pés. Meu cabelo pingava água suja. Meu moletom estava marrom em vez de cinza. Minhas mãos tinham sujeira embaixo de cada unha.
Um canto da boca dele se ergueu em um sorriso.
— Então — disse ele, sua voz carregada de diversão mal contida — Montepulciano ou Florença?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...