~ BIANCA ~
Me olhei no espelho pela milésima vez, ajustando o jeans pela centésima vez, puxando a blusa para cima, depois para baixo, tentando decidir se estava boa ou se parecia que estava tentando demais.
Ou de menos.
Honestamente não tinha mais certeza.
Peguei o celular e tirei uma selfie rápida no espelho, mandando para Mia com a legenda: "Está ok?"
A resposta veio em segundos: "Consigo ver de longe a falta de qualidade desse jeans, então... perfeito!"
Revirei os olhos mas sorri. Nem era tão mal assim. O jeans era confortável, a blusa simples mas bonita, o cardigan leve o suficiente para o dia que estava fazendo. Parecia... normal. Como qualquer outra pessoa saindo para tomar um café em uma segunda-feira de manhã.
O que me levava ao próximo ponto.
Tinha pegado o dia de folga na Bellucci. Na verdade, tinha me dado o dia de folga na Bellucci, porque essa era uma das vantagens de ser COO. Podia simplesmente avisar que não estaria disponível hoje e ninguém questionava.
Não era coisa que qualquer pessoa podia fazer. Sabia disso. Mas como Nico pensava que eu era consultora freelancer sem trabalho fixo, não suspeitaria de mim aparecendo em uma cafeteria em horário comercial de uma segunda-feira.
Peguei minha bolsa — não a Prada que normalmente usava, mas uma mais simples que tinha comprado anos atrás e quase nunca usava — e saí do apartamento.
O nervosismo crescia a cada passo.
No elevador, me peguei verificando o reflexo nas portas de metal polido, ajustando o cabelo que tinha deixado solto e levemente ondulado.
Na garagem, tive que me lembrar de não pegar meu carro principal. Dante tinha sido muito claro sobre isso ontem. Peguei o menor, o mais discreto dos três que possuía. O mesmo que usei quando foi até a pousada.
Durante toda a curta viagem até a cafeteria que Dante tinha indicado no dia anterior, meu estômago fazia piruetas. As mãos suavam no volante. O coração batia mais rápido do que deveria para algo tão simples quanto tomar um café com alguém.
Mas não era simples, era?
Porque era Nico.
Estacionei a duas quadras de distância e caminhei o resto do percurso, tentando parecer casual mesmo que por dentro estivesse em pânico total.
A cafeteria estava mais vazia do que ontem quando tinha vindo com Dante. Segunda-feira de manhã, a maioria das pessoas já no trabalho. Apenas alguns aposentados e talvez um estudante ou outro ocupando as mesas.
E lá estava ele.
Nico estava sentado em uma das mesas perto da janela, olhando para o celular. Usava jeans também, mas o dele claramente tinha anos de uso, desbotado em alguns lugares, e uma camisa de flanela azul por cima de uma camiseta branca.
Quando me viu, o sorriso dele se alargou.
Levantou-se imediatamente, caminhando ao meu encontro, e me cumprimentou com dois beijinhos no rosto.
Sorri, sentindo algo quente se espalhar pelo meu peito.
Na Itália, as pessoas normalmente só faziam isso com quem consideravam ter certo nível de intimidade. Com conhecidos casuais ou em contextos profissionais, preferiam aperto de mão. Os dois beijinhos eram reservados para amigos, família, pessoas próximas.
O que significava que Nico estava ditando o ritmo. Estava deixando claro que não queria que fosse tudo estranho e formal entre nós. Que apesar de tudo, éramos... o quê? Amigos? Algo mais?
— Você está linda — disse ele quando nos afastamos.
— Obrigada — respondi, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Você também está bem.
Nos sentamos e Nico imediatamente pegou o pequeno menu que estava sobre a mesa.
— Posso trazer algo para você? — ofereceu. — Ou prefere ir até o balcão escolher?
O rosto de Nico se iluminou imediatamente.
— Ótima — respondeu com um sorriso caloroso. — Pergunta de você toda hora. Nem avisei a ela que viria te ver, se não ia querer vir junto.
— Deveria tê-la trazido — disse, sentindo uma pontada de saudade da menina. — Teria adorado vê-la.
— Da próxima vez — prometeu ele. — Mas hoje tive que resolver umas coisas mais cedo e... bem, não era exatamente um lugar para crianças.
Banco, pensei imediatamente. Ele tinha ido a um banco. Ou algum outro lugar igualmente adulto e entediante.
Conversamos sobre coisas vazias por mais alguns minutos. O tempo — que estava mais quente em Florença do que em Montepulciano. O trânsito — que estava impossível com obras na via principal. Pequenas coisas que preenchiam o espaço mas que não significavam realmente nada.
Até que eu não aguentei mais.
— Fiquei feliz de receber sua mensagem — disse, colocando minha xícara de volta no pires. — De saber que você queria me ver já que estaria na cidade.
Nico pareceu ficar levemente sem jeito, seus dedos tamborilando na mesa.
— Na verdade — começou ele, sua voz ficando mais séria — precisava falar com você. Sobre... sobre negócios.
Parei com o café a meio caminho da boca.
Negócios?
Eu criando expectativas, me arrumando cuidadosamente, pedindo conselhos ao Dante, nervosa a manhã inteira...
E Nico queria falar... de negócios?
Que tipo de negócios poderíamos ter em comum?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...