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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 576

~ BIANCA ~

— Negócios? — repeti, baixando a xícara lentamente. — Que negócios?

Nico passou a mão pelo cabelo, nervoso. Seus olhos desviaram dos meus por um momento, fixando-se na xícara de café à sua frente como se as respostas estivessem escritas no fundo dela.

— É complicado — começou ele, sua voz saindo mais baixa. — E honestamente me sinto meio... não sei, aproveitador? Por te chamar aqui para isso. Mas não sabia mais a quem recorrer e você tinha mencionado que...

Ele parou, respirou fundo, então recomeçou.

— Estamos com problemas financeiros na villa — disse finalmente, suas palavras saindo rápidas agora, como se quisesse colocá-las para fora antes de perder a coragem. — Graves. Muito graves.

Fiquei quieta, esperando ele continuar.

— Tem um empréstimo que fizemos há alguns anos — explicou, ainda sem me olhar diretamente. — Quando meu pai morreu, ele deixou... bem, deixou algumas dívidas. E a propriedade precisava de reformas urgentes. O teto tinha goteiras, a tubulação estava velha, tinha que fazer adequações para continuar operando como pousada legalmente.

Seus dedos tamborilavam na mesa nervosamente.

— Pegamos o empréstimo pensando que conseguiríamos pagar aos poucos com o lucro da pousada e da vinícola — continuou. — Mas as dívidas que meu pai deixou foram maiores do que imaginávamos. E conforme tentávamos quitar uma coisa, outra surgia. Foi se acumulando como uma bola de neve ao longo dos anos. As dívidas antigas se misturando com as novas, os juros crescendo, e de repente estávamos enterrados sem conseguir sair.

Meu estômago apertou. Eu já sabia dessa história, em partes. Mas se Nico estava falando sobre isso, algo devia ter mudado. E não para melhor.

— Veio um representante do banco semana passada — disse Nico, finalmente levantando os olhos para encontrar os meus. — Nos deram sessenta dias para regularizar ou apresentar um plano de pagamento viável. Se não conseguirmos... eles vão executar a garantia. Vão tomar a propriedade.

Vi a dor em seus olhos quando disse aquilo. A vergonha de admitir fracasso. O medo de perder tudo.

— Por isso vim a Florença hoje — continuou. — Tentei conseguir outro empréstimo em um banco diferente. Pensei que talvez pudesse usar um para pagar o outro, ganhar mais tempo.

— E? — perguntei suavemente.

— Disseram que vão analisar minha proposta com mais cuidado — respondeu, mas o tom da voz deixava claro que ele não tinha esperanças. — Que vão me dar uma resposta em alguns dias. Mas acho que não vai dar em nada. Meu crédito está péssimo, já tenho um empréstimo ativo que não estou conseguindo pagar, não tenho muito mais o que oferecer como garantia.

Ele riu sem humor.

— De qualquer forma, não podemos viver de empréstimo em empréstimo — disse. — Isso não resolve o problema real. Só adia. Precisamos fazer alguma coisa diferente. Algo que realmente mude nossa situação.

Fez uma pausa, seus olhos encontrando os meus com uma intensidade que fez meu coração acelerar.

— E então eu pensei em você.

Gelei.

Completamente gelei.

Será que ele descobriu? Será que de alguma forma tinha descoberto que eu era uma Bellucci? Que minha família tinha o dinheiro, os recursos, o poder para resolver os problemas dele com um único telefonema?

Será que ia propor algum tipo de acordo? Algum percentual da propriedade em troca da Bellucci salvá-los financeiramente?

Minha mente disparou em mil direções ao mesmo tempo. Christian nunca aceitaria um acordo assim. Do ponto de vista puramente empresarial, não fazia sentido investir em uma propriedade endividada quando poderia simplesmente esperar e fazer uma aquisição completa pelo valor de mercado. Era questão de lógica de negócios, não de crueldade.

Mas Nico não queria vender. Isso era inquestionável. Tinha deixado muito claro que preferiria qualquer coisa a perder a propriedade que seu pai tinha construído.

— Que tipo de negócio você tem em mente? — perguntei, minha voz saindo mais tensa do que pretendia.

Não sabia nada sobre isso. Não saberia nem por onde começar.

Tinha trabalhado com marketing dentro da Bellucci, sim. Inclusive era algo que gostava muito de fazer. O reality show sobre vinhos que tínhamos produzido ano passado tinha sido incrivelmente divertido de planejar e executar. As campanhas digitais que tinha supervisionado tinham tido resultados excelentes.

Mas a questão era que os cenários eram completamente diferentes. A Bellucci tinha orçamento praticamente ilimitado. Se queria fazer uma campanha massiva em redes sociais, fazia. Se precisava de fotógrafos profissionais, videomakers, designers, influencers — qualquer coisa — bastava aprovar o orçamento.

E Nico mal conseguia pagar pelos meus supostos serviços. Provavelmente não teria praticamente nada para investir em marketing real.

Como eu ia ajudá-lo com recursos zero? Com orçamento inexistente? Com...

— Desculpa — disse Nico de repente, me tirando dos meus pensamentos. — Desculpa, eu... eu não devia ter vindo. Não devia ter te colocado nessa posição.

Ele começou a se levantar, pegando sua jaqueta do encosto da cadeira.

— Entendo que seus serviços não sejam para... para o que eu posso pagar — continuou, sua voz carregada de vergonha e resignação. — Foi presunçoso da minha parte achar que...

— Não — cortei imediatamente, estendendo a mão e segurando o pulso dele antes que pudesse se afastar completamente. — Não, espera.

Nico parou, me olhando com surpresa.

— Eu posso ajudar — disse, as palavras saindo antes que meu cérebro pudesse processá-las completamente. — Eu posso. Na verdade...

Respirei fundo.

— Eu sei exatamente como salvar a Tenuta Montesi — menti.

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