~ BIANCA ~
— Negócios? — repeti, baixando a xícara lentamente. — Que negócios?
Nico passou a mão pelo cabelo, nervoso. Seus olhos desviaram dos meus por um momento, fixando-se na xícara de café à sua frente como se as respostas estivessem escritas no fundo dela.
— É complicado — começou ele, sua voz saindo mais baixa. — E honestamente me sinto meio... não sei, aproveitador? Por te chamar aqui para isso. Mas não sabia mais a quem recorrer e você tinha mencionado que...
Ele parou, respirou fundo, então recomeçou.
— Estamos com problemas financeiros na villa — disse finalmente, suas palavras saindo rápidas agora, como se quisesse colocá-las para fora antes de perder a coragem. — Graves. Muito graves.
Fiquei quieta, esperando ele continuar.
— Tem um empréstimo que fizemos há alguns anos — explicou, ainda sem me olhar diretamente. — Quando meu pai morreu, ele deixou... bem, deixou algumas dívidas. E a propriedade precisava de reformas urgentes. O teto tinha goteiras, a tubulação estava velha, tinha que fazer adequações para continuar operando como pousada legalmente.
Seus dedos tamborilavam na mesa nervosamente.
— Pegamos o empréstimo pensando que conseguiríamos pagar aos poucos com o lucro da pousada e da vinícola — continuou. — Mas as dívidas que meu pai deixou foram maiores do que imaginávamos. E conforme tentávamos quitar uma coisa, outra surgia. Foi se acumulando como uma bola de neve ao longo dos anos. As dívidas antigas se misturando com as novas, os juros crescendo, e de repente estávamos enterrados sem conseguir sair.
Meu estômago apertou. Eu já sabia dessa história, em partes. Mas se Nico estava falando sobre isso, algo devia ter mudado. E não para melhor.
— Veio um representante do banco semana passada — disse Nico, finalmente levantando os olhos para encontrar os meus. — Nos deram sessenta dias para regularizar ou apresentar um plano de pagamento viável. Se não conseguirmos... eles vão executar a garantia. Vão tomar a propriedade.
Vi a dor em seus olhos quando disse aquilo. A vergonha de admitir fracasso. O medo de perder tudo.
— Por isso vim a Florença hoje — continuou. — Tentei conseguir outro empréstimo em um banco diferente. Pensei que talvez pudesse usar um para pagar o outro, ganhar mais tempo.
— E? — perguntei suavemente.
— Disseram que vão analisar minha proposta com mais cuidado — respondeu, mas o tom da voz deixava claro que ele não tinha esperanças. — Que vão me dar uma resposta em alguns dias. Mas acho que não vai dar em nada. Meu crédito está péssimo, já tenho um empréstimo ativo que não estou conseguindo pagar, não tenho muito mais o que oferecer como garantia.
Ele riu sem humor.
— De qualquer forma, não podemos viver de empréstimo em empréstimo — disse. — Isso não resolve o problema real. Só adia. Precisamos fazer alguma coisa diferente. Algo que realmente mude nossa situação.
Fez uma pausa, seus olhos encontrando os meus com uma intensidade que fez meu coração acelerar.
— E então eu pensei em você.
Gelei.
Completamente gelei.
Será que ele descobriu? Será que de alguma forma tinha descoberto que eu era uma Bellucci? Que minha família tinha o dinheiro, os recursos, o poder para resolver os problemas dele com um único telefonema?
Será que ia propor algum tipo de acordo? Algum percentual da propriedade em troca da Bellucci salvá-los financeiramente?
Minha mente disparou em mil direções ao mesmo tempo. Christian nunca aceitaria um acordo assim. Do ponto de vista puramente empresarial, não fazia sentido investir em uma propriedade endividada quando poderia simplesmente esperar e fazer uma aquisição completa pelo valor de mercado. Era questão de lógica de negócios, não de crueldade.
Mas Nico não queria vender. Isso era inquestionável. Tinha deixado muito claro que preferiria qualquer coisa a perder a propriedade que seu pai tinha construído.
— Que tipo de negócio você tem em mente? — perguntei, minha voz saindo mais tensa do que pretendia.
Não sabia nada sobre isso. Não saberia nem por onde começar.
Mas a questão era que os cenários eram completamente diferentes. A Bellucci tinha orçamento praticamente ilimitado. Se queria fazer uma campanha massiva em redes sociais, fazia. Se precisava de fotógrafos profissionais, videomakers, designers, influencers — qualquer coisa — bastava aprovar o orçamento.
E Nico mal conseguia pagar pelos meus supostos serviços. Provavelmente não teria praticamente nada para investir em marketing real.
Como eu ia ajudá-lo com recursos zero? Com orçamento inexistente? Com...
— Desculpa — disse Nico de repente, me tirando dos meus pensamentos. — Desculpa, eu... eu não devia ter vindo. Não devia ter te colocado nessa posição.
Ele começou a se levantar, pegando sua jaqueta do encosto da cadeira.
— Entendo que seus serviços não sejam para... para o que eu posso pagar — continuou, sua voz carregada de vergonha e resignação. — Foi presunçoso da minha parte achar que...
— Não — cortei imediatamente, estendendo a mão e segurando o pulso dele antes que pudesse se afastar completamente. — Não, espera.
Nico parou, me olhando com surpresa.
— Eu posso ajudar — disse, as palavras saindo antes que meu cérebro pudesse processá-las completamente. — Eu posso. Na verdade...
Respirei fundo.
— Eu sei exatamente como salvar a Tenuta Montesi — menti.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...