Era final da tarde e eu deveria estar verificando as reservas da próxima semana ou ajudando minha mãe na cozinha. Em vez disso, estava encostado no batente da porta da recepção, observando Bianca trabalhar.
Ela estava conversando com um casal de hóspedes que tinha chegado ontem. Alemães, se não me enganava pelo sotaque. Fazia perguntas, anotava coisas em uma caderneta pequena, acenava com a cabeça de forma encorajadora quando eles respondiam.
Estava completamente no modo profissional. Postura ereta, sorriso educado mas não excessivo, olhos atentos captando cada detalhe. Nada da mulher que tinha se jogado nos meus braços na cabana durante a nevasca. Nada da mulher que tinha me beijado na sala de estar semanas atrás.
Esta era Bianca a consultora. E era fascinante vê-la assim.
O casal alemão parecia estar adorando a atenção. A mulher gesticulava animadamente, apontando para os vinhedos lá fora pela janela, claramente empolgada com algo. O marido concordava, adicionando comentários ocasionais.
Foi quando ela olhou para cima e me viu observando.
Nossos olhos se encontraram por um momento. Ela sorriu. Não o sorriso profissional educado que tinha dado aos alemães. Este era mais suave, mais pessoal. Apenas para mim.
Disse algo para o casal, provavelmente se desculpando, então caminhou na minha direção.
— Oi — disse quando chegou perto. — Há quanto tempo está aí parado me observando de forma estranha?
— Não estava observando de forma estranha — defendi. — Estava observando de forma perfeitamente normal. Só... observando.
Ela riu.
— Certo. E o que o observador normal precisa?
— Na verdade — disse, endireitando da posição relaxada contra o batente — estava pensando. Da última vez que você esteve aqui, estava tudo coberto de neve. Você mal viu a propriedade de verdade. Então pensei que talvez quisesse ver o lugar de uma nova perspectiva.
Bianca inclinou a cabeça, curiosa.
— Vai ter passeio de caminhão com os turistas agora? — perguntou ela, referindo-se aos tours que normalmente fazia nos fins de semana.
— Não — balancei a cabeça. — Pensei em algo mais privativo. Só nós dois. Sabe andar de bicicleta?
Ela piscou, claramente não esperando aquela pergunta.
— Sim... — respondeu lentamente, confusa. — Por quê?
— Vem comigo.
Guiei ela até a parte de trás da pousada onde guardávamos algumas bicicletas antigas. Duas delas estavam em condições razoáveis. Tinha verificado os pneus e lubrificado as correntes mais cedo, esperando que ela aceitasse.
Segurei a bicicleta firme enquanto ela subia, certificando que estava equilibrada antes de soltar.
— Pronta?
— Pronta — respondeu, ainda parecendo levemente insegura mas determinada.
Subi na minha própria bicicleta e comecei a pedalar em ritmo tranquilo, guiando o caminho por uma trilha de terra que cortava através dos vinhedos. Olhei para trás uma vez para garantir que ela estava me seguindo.
Estava. Pedalava com cuidado mas confiança crescente, seus olhos já começando a vagar pelo cenário ao redor.
— É completamente diferente — gritou ela de trás, sua voz carregando admiração. — Sem a neve, quero dizer. É lindo!
Os vinhedos estavam verdes agora, as videiras começando a brotar com a primavera se aproximando. As colinas se estendiam em ondas suaves em todas as direções, pontilhadas ocasionalmente por ciprestes altos e casas de pedra antigas.
Mostrei a ela tudo enquanto pedalávamos. Os vinhedos mais antigos. A pequena capela do século dezessete que ficava na borda da propriedade, meio escondida entre árvores. A torre de vigia medieval que ainda estava de pé, sua estrutura de pedra surpreendentemente intacta depois de séculos.
— Esta torre — expliquei quando paramos para ela olhar mais de perto — era parte da antiga fortificação que protegia a estrada comercial para Siena. Tem mais de setecentos anos e ainda dá para subir lá em cima.
Bianca desceu da bicicleta e se aproximou da torre, sua cabeça inclinada para trás para ver o topo.
Bianca virou a cabeça para me olhar, um sorriso enorme no rosto.
— Errado — disse ela, seus olhos brilhando. — Este é o melhor lugar de Montepulciano para ver o pôr do sol. Talvez de toda a Toscana.
Ri da convicção na voz dela.
— No que você está pensando? — perguntei, reconhecendo aquela expressão. — Posso ver as engrenagens girando na sua cabeça.
— Tenho uma ideia — disse ela, ainda olhando para a vista. — Mas vamos ter que voltar aqui amanhã para ter certeza.
Então ela pegou o celular do bolso.
— Tira uma foto minha? — pediu, me estendendo o aparelho.
Levantei-me e peguei o celular, posicionando para capturar tanto ela quanto o cenário espetacular atrás. Ela virou levemente no balanço, o vento pegando seu cabelo, o sol dourado iluminando seu rosto.
Tirei a foto. Depois tirei mais uma. E mais uma.
Fiquei olhando para a tela do celular por um momento mais longo do que necessário. Para a forma como a luz pegava em seu perfil. Para o sorriso genuíno em seu rosto. Para como ela parecia completamente em paz naquele momento.
Então olhei para ela de verdade, não através da câmera. E ela estava me olhando de volta, algo indecifrável em seus olhos.
Devolvi o celular, nossos dedos se tocando brevemente na transferência.
Bianca olhou para as fotos, deslizando pela tela.
— É isso! — exclamou, feliz. — Perfeito!
— Sim — deixei escapar, ainda olhando para ela e não para a tela. — Perfeita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...