~ BIANCA ~
— A ideia é simples — comecei, olhando para os três rostos ao meu redor. — Vamos mudar o lugar do jantar de amanhã. Os hóspedes podem ser levados no caminhão de turismo ou podem escolher ir de bicicleta, quem preferir. Não vamos ter custos extras. A comida continua sendo a mesma de sempre, a maravilhosa comida da Martina. Apenas servida em um lugar diferente.
Estávamos na cozinha da villa, sentados ao redor da mesa grande de madeira, xícaras de chá fumegante nas mãos de todos, o relógio na parede marcando quase dez da noite. Nico estava à minha frente, Martina à direita, Paola à esquerda. Todos me observando com diferentes graus de curiosidade e ceticismo.
— E os hóspedes vão comer no chão? — perguntou Paola, sua voz carregada de dúvida e ironia. — Porque não me lembro de ter mesas lá em cima.
— Podemos improvisar algumas mesas com as madeiras e tonéis que vocês guardam no galpão — respondi rapidamente. — Mas improvisar alguns pontos com toalhas de piquenique é uma ótima ideia, Paola, obrigada!
Disse isso com um sorriso genuíno no rosto, mesmo sabendo perfeitamente que não tinha sido exatamente isso que ela estava sugerindo. Mas se ia trabalhar com essas pessoas, precisava incluí-las, fazer com que se sentissem parte do processo. Especialmente Paola, que claramente ainda tinha reservas sobre mim.
— Os vinhos podem ser disponibilizados gratuitamente essa noite — continuei, antes que alguém pudesse interromper. — Uma taça por hóspede. Vinho da casa.
— Sempre cobramos pelas bebidas alcoólicas — disse Nico imediatamente, franzindo a testa. — Faz parte da receita.
— Pelo que você me disse mais cedo — rebati gentilmente — vocês não vendem quase nada. Uma taça de vinho da casa incluída no jantar é um diferencial. Faz as pessoas se sentirem especiais, valorizadas. E quem sabe, talvez gostem tanto que comprem uma garrafa para levar para casa depois.
Vi Nico considerar aquilo, sua expressão suavizando levemente.
— Além disso — continuei, aproveitando o momento — vamos precisar trabalhar um pouco na decoração do espaço. Luzes. Placas de madeira rústicas. Um arco de videiras com alguns bancos ao redor para fotos. Talvez algumas mesas altas tipo bistrô feitas com barris de vinho velhos que vocês devem ter guardados em algum lugar...
As ideias começaram a sair mais rápido, minhas mãos gesticulando enquanto falava, tentando fazer todos verem a visão que tinha na cabeça.
— O importante é fazer com que os hóspedes fotografem o máximo possível — expliquei, lembrando da conversa com Zoey mais cedo.
"Constrói um lugar perfeito para fotos," ela tinha dito pelo telefone. "Mas não aquela coisa obviamente montada para I*******m, sabe? Sem painéis chamativos ou frases bobas. O que tem que se destacar é o lugar em si. A natureza. O pôr do sol. Os vinhedos. O que vocês têm de único e autêntico."
Martina estava acenando com a cabeça, claramente gostando da ideia. Paola ainda parecia cética mas pelo menos estava ouvindo. Nico estava... difícil dizer. Seus olhos estavam em mim mas sua expressão era ilegível.
— Vamos precisar de alguns materiais — continuei, puxando meu celular e abrindo as notas que tinha feito. — Luzes de LED solar, não são caras. Madeira para as placas, mas vocês têm isso aqui. Tinta. Alguns tecidos para as toalhas de piquenique se não tiverem suficientes. Talvez uns vasos com plantas...
— Bianca — Nico me interrompeu, sua voz gentil mas firme. — Precisamos arrecadar dinheiro, não gastar.
Foi Martina quem respondeu.
— Pois eu confio — disse ela firmemente, colocando sua xícara de chá na mesa com um som suave. — Ninguém se mete na minha cozinha para falar se o que estou fazendo vai dar certo ou não. Eu confio no meu taco, na minha experiência, no que aprendi ao longo de décadas cozinhando. Da mesma forma, Bianca confia no dela. E se a contratamos, se pedimos a ajuda dela, não é para ficar duvidando de cada ideia que apresenta. Ela sabe o que está fazendo.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Olhei para Martina, sentindo uma onda de gratidão tão forte que quase me fez chorar. Ela estava me defendendo. Confiando em mim. Acreditando em mim.
E eu estava mentindo para ela.
— Obrigada, Martina — consegui dizer, minha voz saindo um pouco rouca.
Martina tinha dito que eu sabia o que estava fazendo.
Mas será que eu sabia mesmo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....