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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 596

~ BIANCA ~

Bella saiu correndo da gelateria antes que eu pudesse decidir o que fazer. A porta de vidro se abriu com um sino tilintando e ela veio direto na minha direção, seus passinhos rápidos batendo na calçada de paralelepípedos.

— Tia Bia! Tia Bia! — gritava, os braços já estendidos.

Me abaixei instintivamente, abrindo os braços para recebê-la. Ela se jogou contra mim com força suficiente para quase me derrubar, seus bracinhos pequenos apertando meu pescoço com aquele aperto de criança que não sabe medir força.

— Oi, meu amor — disse, sentindo algo se apertando no peito. — Que surpresa boa te ver.

Nico tinha saído atrás dela, claro. Pai protetor não deixando a filha pequena correr para a rua sozinha. Parou a alguns metros de distância, as mãos nos bolsos, expressão cautelosa.

Nossos olhos se encontraram por cima da cabeça de Bella.

Não disse nada. Ele também não.

— Você pode tomar gelato com a gente! — disse Bella, se afastando apenas o suficiente para olhar para meu rosto, seus olhos brilhando de empolgação. — Por favor? Por favor?

Olhei para dentro da gelateria através da janela de vidro. Renata ainda estava sentada lá, nos observando com um ar de quem tenta conter a irritação.

— É melhor não — respondi gentilmente, passando a mão pelo cabelo de Bella. — Vocês estão ocupados.

— Mas eu quero! — insistiu Bella, fazendo biquinho. — Por favor, tia Bia!

— Que tal se mais tarde nós duas comemos um bolo bem gostoso da nonna Martina? Só nós duas. Pode ser?

Bella considerou aquilo, claramente dividida entre o que queria agora e a promessa de algo especial depois.

— Você está indo para a Tenuta? — perguntou Nico, sua voz saindo mais formal do que costumava ser comigo.

— Estou — confirmei, me levantando. — Cheguei mais cedo porque tinha uma reunião com uma agência aqui na cidade.

Vi algo passar pelo rosto dele. Surpresa, talvez. Ou confusão.

— Você não avisou da reunião — disse ele. — Nem que viria hoje.

— Não quis incomodar — respondi, mantendo minha voz neutra. — Vim principalmente por causa dos influenciadores que chegam amanhã. Precisava garantir que tudo estava sendo preparado corretamente. A reunião foi só uma conveniência já que estava vindo mesmo.

Silêncio desconfortável caiu entre nós. Bella olhava de um para o outro, sentindo a tensão mesmo sem entender completamente.

— Bella — disse Nico finalmente — se despeça da tia Bia. Mais tarde vocês se veem na Tenuta.

— Mas eu quero tomar gelato agora! — insistiu Bella, sua voz ficando mais chorosa. — Com a tia Bia! Por favor, papai!

Ela olhou para dentro da gelateria, para Renata ainda sentada lá, e algo mudou em sua expressão. Ficou mais fechada. Mais resistente.

Não queria voltar para Renata. Era óbvio.

Nico e eu trocamos olhares.

— Se você quiser... — começou ele, deixando a frase no ar.

— EBAAA! — gritou Bella antes que eu pudesse responder, pegando minha mão e já me puxando em direção à gelateria. — Vem, tia Bia! Você vai adorar! Eles têm pistacchio!

Deixei ser arrastada, olhando para Nico por cima do ombro. Ele seguia atrás, expressão ainda cautelosa mas levemente aliviada.

Entramos na gelateria. O ar-condicionado era forte demais, fazendo meus braços arrepiarem imediatamente. Cheiro doce de waffle e chocolate preenchia o ambiente.

Renata nos observou se aproximar, seu sorriso ficando visivelmente mais forçado quando me viu.

— Olá — disse ela, sua voz carregada de falsa cordialidade. — Bianca, não é?

Fiquei quieta. Comendo meu gelato. Deixando aquilo passar. Não ia entrar nesse jogo.

— Melhor ela não se apegar muito — continuou Renata, tomando um gole da água com gás cara que tinha pedido.

Foi quando aconteceu.

Bella estava gesticulando animadamente, tentando me mostrar algo, e bateu sem querer na taça de gelato na frente dela. Uma colherada generosa caiu direto na bolsa de Renata.

— Cuidado! — gritou Renata, pegando a bolsa rapidamente e limpando o gelato com guardanapo. — Meu Deus, Bella! Esta bolsa custa uma fortuna!

Não pude evitar. Um risinho irônico escapou antes que conseguisse controlar.

Renata virou-se para mim imediatamente, olhos estreitando.

— Qual é a graça? — perguntou, sua voz gelada.

— Nada — disse, ainda sorrindo levemente. — É só que vendem dessas aí em qualquer ponto turístico de Roma por uns cinquenta euros.

Silêncio absoluto caiu sobre a mesa.

— Está insinuando que eu uso réplicas? — perguntou Renata, sua voz ficando perigosamente baixa.

— Estou afirmando — corrigi calmamente. — E das malfeitas. A costura da alça está completamente errada. Vê aqui? — apontei. — Na original, o ponto é duplo com espaçamento de exatamente três milímetros. Nessa tem espaçamento irregular. E o logo está ligeiramente desalinhado para a esquerda. Fácil de perder se você não conhece a peça original, mas impossível de ignorar quando conhece.

Tanto Nico quanto Renata estavam me olhando agora. Ele com surpresa. Ela com algo entre raiva e choque.

Me dei conta da gafe.

— Gosto de história da moda — disse rapidamente, voltando a comer meu gelato como se não tivesse acabado de expor conhecimento que uma "consultora de marketing" normal provavelmente não teria.

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