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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 595

~ BIANCA ~

Tinha saído de Florença antes do amanhecer, dirigindo pela estrada já familiar enquanto o sol nascia lentamente sobre as colinas toscanas. Nico sabia que eu viria para o fim de semana - afinal, os influenciadores que Zoey tinha arranjado chegariam no sábado e precisávamos garantir que tudo estivesse perfeito. Mas não avisei que chegaria na sexta-feira. Não avisei que viria um dia antes.

Fui direto para a agência do Credito Toscano, o banco que segurava a dívida de Nico. Preferi ir pessoalmente na agência local ao invés de tentar resolver de Florença. Menos burocracia. Mais controle sobre a situação.

O banco era pequeno mas elegante, com aquela atmosfera de instituição antiga tentando parecer moderna. Pisos de mármore. Balcões de madeira escura. Funcionários de terno impecável atendendo os poucos clientes da manhã.

Me dirigi diretamente ao balcão de atendimento.

— Bom dia — disse ao homem atrás do balcão, um senhor de uns cinquenta anos com óculos de aro fino. — Preciso falar com alguém sobre quitação de débito.

— Claro, senhora. Um momento, por favor.

Ele me direcionou para uma sala privativa onde fui recebida por um gerente. Giorgio Marini, segundo a plaquinha na mesa.

— Como posso ajudá-la? — perguntou, gesticulando para que me sentasse.

Coloquei a pasta que tinha trazido sobre a mesa e tirei os papéis que Christian tinha me ajudado a preparar.

— Quero quitar um débito — disse diretamente. — Está no nome de Nicolò Montesi. Este é o número do contrato.

Empurrei o papel com as informações através da mesa.

O gerente pegou, digitou algo no computador, esperou. Seus olhos percorreram a tela. Franziu levemente a testa.

— A senhora é parente do devedor? — perguntou, me olhando por cima dos óculos.

— Não.

— Então... — ele hesitou — por qual motivo exatamente quer pagar essa dívida?

Mantive minha expressão perfeitamente neutra, profissional.

— Porque perder essa propriedade não está nos meus planos.

Ele pigarreou, claramente desconfortável com a resposta direta.

— Entendi — disse lentamente. — Vou ver com o setor jurídico. Mas, em princípio, não há impedimento legal para pagamento por terceiro. Só um momento.

Levantou-se e saiu da sala, me deixando sozinha olhando para as paredes decoradas com quadros genéricos de paisagens toscanas.

Voltou dez minutos depois com uma pasta grossa e expressão ainda mais desconfortável.

— Senhora — começou, sentando-se novamente — temos uma... complicação.

— Que tipo de complicação?

— A dívida em questão já está sendo negociada para cessão — explicou, abrindo a pasta e mostrando documentos que não consegui ler de cabeça para baixo. — Para um terceiro. Um investidor que está comprando um pacote de créditos problemáticos.

— Cessão? — repeti, querendo ter certeza de que estava entendendo corretamente. — Vocês estão vendendo a dívida dele?

— Essencialmente, sim. É uma prática comum quando créditos entram em situação de inadimplência prolongada. O banco recupera pelo menos parte do valor, e o novo credor assume o risco e os direitos de cobrança.

As palavras foram como um soco.

Se esse cara comprar a dívida, vai tomar a propriedade. Certamente era essa a intenção.

— Mas vocês disseram ao Nico que ele tinha tempo — disse, minha voz saindo mais dura agora. — Sessenta dias para regularizar ou apresentar proposta. Isso foi há menos de três semanas.

O gerente ajeitou a gravata, sem me encarar totalmente.

— Senhora, esse tipo de prazo é um cenário, não uma obrigação formal do banco.

— Em outras palavras, foi mais conversa de banco do que garantia real.

— Eu não diria assim… mas, sim. O contrato permite que o banco venda o crédito antes. Além do mais, quando um crédito entra em pacote de cessão como este... minhas mãos ficam atadas. Não é decisão minha. Eu apenas administro a agência local.

— Então desate — disse, me inclinando para frente. — Estou aqui. Agora. Querendo pagar a dívida inteira. Quarenta e dois mil euros. Isso resolve o problema do banco, não resolve?

Ele suspirou, esfregando a testa como se sentisse dor de cabeça chegando.

— Não é tão simples. A dívida já está classificada como problemática dentro do nosso sistema. E existe um investidor que já está em negociações avançadas com o banco para comprar essa dívida junto com outras em um pacote fechado.

— A senhora... — começou, então parou, recalculando sua abordagem. — A senhora tem esse montante disponível?

— Tenho — confirmei. — E posso fazer a transferência assim que tivermos acordo formal.

Ele ficou em silêncio por um longo momento, claramente processando se eu era séria ou completamente louca.

— Vou precisar consultar a diretoria — disse finalmente. — Mas acredito que para uma oferta maior, à vista, eles vão aceitar sim. O outro investidor ainda está em negociações. Se fecharmos com a senhora hoje, resolvemos tudo mais rápido.

— Ótimo.

Saí do banco meia hora depois, tendo feito todos os protocolos solicitados. O gerente tinha prometido que até segunda-feira todo o pacote seria oficialmente meu. Eu me tornaria credora de dezessete pessoas, incluindo Nicolò Montesi.

Tinha acabado de gastar mais de dois milhões de euros para salvar a propriedade de um homem que tinha dito que eu era "só uma amiga".

Estava andando em direção ao meu carro, estacionado algumas ruas abaixo, processando tudo que tinha acabado de fazer, quando ouvi uma vozinha familiar gritando:

— Tia Bia!

Parei imediatamente.

Levantei os óculos escuros do rosto até o topo da cabeça, procurando a origem do som.

E lá estava Bella.

Em uma gelateria do outro lado da rua, sentada em uma mesa perto da janela enorme de vidro. Acenando para mim com entusiasmo, um sorriso enorme no rostinho.

Mas ela não estava sozinha.

Claro que não estava.

Nico estava ali. Sentado ao lado dela. Olhando na minha direção com expressão que não consegui decifrar completamente.

E Renata.

Inclinada na direção dele de uma forma muito, muito íntima. Sua mão estendida em direção a Nico. Tocando o braço dele. Sorrindo daquele jeito que mulheres sorriem quando estão flertando.

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