Diogo
A reunião caminhava para o fim quando escutei vozes no corredor. Altas e apressadas.
Franzi o cenho e ergui o olhar para a porta. Junior, ao meu lado, interrompeu a fala e também olhou na mesma direção, com as sobrancelhas arqueadas.
— Que barulho é esse? — ele murmurou.
Antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta bruscamente. Uma figura pequena, de cabelos soltos e bagunçados, entrou correndo com os olhos cravados em mim.
Alice.
Linda veio atrás, visivelmente sem fôlego, os saltos fazendo eco no piso da sala.
— Senhor Diogo, me desculpe, eu… ela entrou correndo, ninguém conseguiu pará-la na recepção.
Linda tentava explicar, ofegante.
— Eu pedi para ela sair, mas…
O segurança que a acompanhava se aproximou e segurou o braço de Alice, tentando contê-la. Meu corpo reagiu antes da minha mente e levantei da cadeira em um impulso.
— Solta ela — ordenei com firmeza.
O segurança hesitou por um segundo, mas então largou o braço dela, recuando em silêncio.
— Podem ir — acrescentei, olhando de relance para Linda e o segurança.
— Senhor, eu tentei… essa moça entrou de repente, eu… — Linda começou, claramente nervosa.
Levantei uma das mãos, interrompendo-a.
— Está tudo bem, Linda. Eu sei como ela pode dar trabalho às vezes.
Alice sorriu, ajeitando os cabelos, ainda ofegante e meu peito se apertou. O que diabos ela estava fazendo ali, depois de me ignorar completamente na noite anterior?
Junior me olhou, parecendo buscar alguma explicação.
— Podemos terminar a reunião mais tarde, Junior.
— Claro, senhor. — Ele assentiu e saiu, lançando um último olhar curioso para Alice.
Linda permaneceu parada, insegura.
— Linda, você pode se retirar também.
Ela hesitou, mas acabou assentindo, fechando a porta atrás de si.
Caminhei até o aparador, onde mantinha uma jarra de água. Meus dedos estavam mais tensos do que eu gostaria de admitir. Enchi um copo e fui até Alice.
— Toma. — Estendi o copo a ela.
— Obrigada — ela disse, com a voz baixa e ofegante.
Ficou ali, bebendo com cuidado, tentando recuperar o fôlego. Eu mantive as mãos nos bolsos, talvez para evitar o impulso de tocá-la. Meu corpo gritava por isso, mas a cabeça ainda tentava entender o que ela queria aqui, depois de me deixar falando sozinho.
Ela me ignorou ontem. Nenhuma resposta. Nenhuma mensagem. Nenhuma justificativa.
E agora? Agora ela entra assim… fugindo de todos? Invadindo a empresa?
A observava em silêncio com o peito apertado, tentando entender o que exatamente Alice Mendes pretendia.
Ela segurava o copo com as duas mãos agora, mais calma e os olhos me observavam por cima dos cílios longos.
— Achei que seria mais fácil entrar aqui — disse, com um meio sorriso.
Cruzei os braços, ainda tentando manter o tom sério, apesar da vontade de rir com confusão que ela provavelmente causou lá fora.
— A segurança é uma prioridade. E se você conseguiu chegar até minha sala assim... houve uma falha.
Ela balançou a cabeça, fazendo um coque meio torto com o cabelo, que logo se desfez.
— Não foi fácil, tá? Entrei no elevador correndo, bati o ombro na porta... Quando saí, aquele segurança gigante já estava lá. Eu fingi que ia acertar as bolas dele e quando ele foi se proteger, o empurrei e corri. Entrei até numa sala errada antes de achar seu nome na porta.
Não consegui evitar o sorriso que ameaçava subir. A confusão, a correria, o caos... era tão a cara dela.
Mas a mágoa ainda estava ali. Por mais que eu não quisesse admitir, fiquei mal ontem. Parecia um idiota mandando mensagem e sendo ignorado. Nunca tinha insistido tanto assim pra ver alguém.
Ela me entregou o copo e eu me virei, indo deixá-lo no balcão ao lado da cafeteira.
— Eu... — ouvi a voz dela atrás de mim. — Sinto muito por não ter te atendido ontem à noite.
Virei devagar com o olhar cravado nela.
— O que aconteceu? Achei que... sei lá, que você tinha desistido por causa da última vez.
Ela se aproximou, os olhos desviando dos meus.
— Não. Eu gosto do que a gente tem, Diogo... — ela mordeu o lábio. — Eu passei mal ontem e fui pro hospital.
Meu coração disparou.
— O quê? Você tá bem? O que houve?
— Foi só... eu não comi direito e meu corpo cobrou. Julio me levou pro hospital, mas acabei esquecendo o celular em casa. Recebi alta hoje de manhã, vi suas mensagens e decidi vir te avisar.
Suspirei, aliviado. Me aproximei e acariciei a sua bochecha com os dedos.
— Você poderia ter ligado, eu teria ido até lá.
Ela sorriu de leve.
— Não teria graça nenhuma.
— E a Alice Mendes se importa com graça agora? — brinquei.
Ela riu baixo.
Suspirei, estava me sentindo idiota, mas foda-se.
— Talvez eu esteja colocando tudo a perder. Você pode até me atacar com o spray de pimenta de novo.
— Do que você tá falando? — ela perguntou, rindo de leve.
Tirei a caixinha do bolso do paletó. Vermelha, com acabamento luxuoso e o nome Cartier gravado em dourado. Vi o olhar dela mudar e com dois passos, recuar para longe.
— Eu vi e lembrei de você — falei, abrindo devagar. Lá dentro, o colar delicado brilhava em meio ao veludo preto: uma corrente de ouro com um pingente redondo cravejado de diamantes em duas camadas, o centro reluzindo com uma pedra ainda mais clara e preciosa.
Alice ficou muda.
— Diogo... eu não posso aceitar. Pelo amor de Deus, eu conheço essa marca, isso é Cartier! deve ter custado um absurdo! — Ela me olhou. — Eu disse que não queria presentes. Não aceitei o que temos por causa do seu dinheiro.
Ela se virou, pronta pra ir embora, mas fui mais rápido e segurei seu braço com delicadeza.
— Eu sei que você não quer presentes e que não tá nem aí pro meu dinheiro. — Respirei fundo. — Sei que você disse que não queria nada, que era só sexo... Mas eu não podia deixar seu aniversário passar em branco.
Ela ainda olhava pro chão.
— É justamente isso que eu queria, Diogo...
— Mas eu não sou assim. Mesmo com tudo que a gente tem, você não é só uma transa pra mim. Eu gosto da sua companhia e queria te dar algo no seu aniversário.
Ela hesitou e abaixou o rosto. Eu toquei o seu queixo, levantando devagar.
— Me olha. Só... aceita, é só um presente de alguém que gosta de você por perto.
Ela encarou a caixinha, dava para ver que estava nervosa. Então abri de novo, tirei o colar e fui pra trás dela. Afastei seus cabelos do pescoço, sentindo a sua pele arrepiar sob meus dedos.
Maldição, como eu queria tomá-la ali mesmo.
Mas me controlei.
Fechei o colar no seu pescoço e voltei pra frente, vendo-a tocar o pingente de leve.
— Não faz mais isso — murmurou.
— Tá bom — sorri.
Ela fechou os olhos por um segundo e respirou fundo.
— Obrigada pelo presente.
Puxei-a para um abraço, sentindo o seu corpo se encaixar no meu.
— Feliz aniversário, pimentinha — sussurrei no ouvido dela antes de deixar um beijo em sua testa.
Alice assentiu, ainda séria, e saiu da sala.
Fiquei ali parado, olhando a porta se fechar com o peito apertado e nervoso. Achei que tinha colocado tudo a perder.
Mas ela aceitou. Isso... já era alguma coisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...