(Alice)
Diogo parou o carro em frente a minha casa. Ele me olhou com aquele sorriso meio cansado, mas ainda assim bonito e passou a mão pela minha bochecha.
— Te vejo mais tarde — murmurou, encostando os lábios nos meus. Foi um beijo rápido, mas cheio de carinho, do jeito que só ele sabia dar.
— Até mais, bilionário — falei, tentando dar um sorriso leve, mesmo com a cabeça cheia depois de tudo que rolou com o irmão dele.
Desci do carro e acenei antes de ele sair. Respirei fundo e entrei, mas ao invés de ir para o quarto, cruzei a cozinha e fui até o quintal, onde sabia que Júlio estava na rede. E lá estava ele, com a cara enfiada no celular.
— Boa noite pra você também — falei, me jogando na cadeira em frente.
Ele levantou os olhos e riu. — Boa noite, madame Alice. Veio me fazer companhia ou já está fugindo para o seu bilionário?
Revirei os olhos.
— Engraçado você falar isso... porque é meio sobre isso que eu queria falar.
— Ah não... lá vem. — Ele largou o celular e me encarou como se já soubesse que vinha drama.
Sentei na rede ao seu lado e como ele era mais alto, dava um impulso para a rede balançar.
— Quem é o stalker?
Suspirei e mexi as pernas, balançando no ar. — Não sei, Júlio... Mas eu tô com a sensação estranha de que alguém tá me observando.
— Observando... tipo, te seguindo? Ou observando de longe, do tipo “crush secreto”? — ele provocou.
— Não é crush, Júlio, é creepy mesmo — falei séria, e vi ele ajeitar a postura. — Aconteceu umas três vezes já... na rua, no ponto de ônibus semana passada, e hoje cedo... juro que tive a impressão que tinha alguém parado na entrada da empresa só me olhando. Quando virei, não tinha ninguém.
Ele tentou disfarçar a preocupação. — Pode ser coincidência, vai.
— Coincidência é tropeçar na mesma pedra duas vezes, não três ou quatro — respondi, tentando brincar, mas a verdade é que aquilo estava me incomodando mais do que eu queria admitir.
— Você quer que eu te acompanhe nos horários de saída? — ele ofereceu, e vi que estava genuinamente preocupado.
— Não precisa. Eu sei me cuidar. — Dei um sorriso torto. — Além do mais, se eu começar a ter segurança particular, vou me sentir a Beyoncé.
Ele riu. — Você é um caso perdido mesmo.
— E falando em casos perdidos... — mudei de assunto, apoiando a cabeça no ombro dele — Conheci a mãe do Diogo. Quer dizer... conheci por cima, porque ela tava péssima por causa do irmão dele, que terminou com a namorada.
— Putz, que chato.
— É... e a menina, Fernanda. Eu nem sei que é, mas deu pra ver que a coisa foi séria. Ele estava trancado no quarto e a casa toda em um clima pesado. — Suspirei. — Não sei bem o que aconteceu, mas foi estranho.
— Estranho como?
— Estranho tipo “tem mais coisa aí que ninguém tá falando”. Sinto que o Diogo está escondendo alguma coisa com relação a isso. Mas vamos mudar de assunto, hoje foi um dia confuso.
— Ah, sim... claro. Vamos falar de coisas boas, tipo o gostosão com quem eu to saindo.
Revirei os olhos, rindo. — Você é insuportável.
Mas, por dentro, a sensação de estar sendo observada não tinha passado nem um pouco.
***
No dia seguinte, Júlio me deixou em frente ao prédio da empresa, mas não sem antes fazer o teatro de sempre.
— Quer que eu suba e te proteja dos olhares misteriosos do corredor? — ele disse com aquela cara debochada.
Revirei os olhos.
— Jura? Eu mal acordei, não vou gastar energia com piada ruim logo cedo.
Ele riu e desligou a moto.
— Vai dizer que não se sente mais segura comigo?
— Eu me sinto mais irritada, isso sim — falei, descendo da garupa. Mas sorri, porque no fundo era bom ter alguém assim perto de mim.
— Tá, madame independência, vê se não arruma confusão antes das nove.
— Prometo nada. — Bati no ombro dele e segui para a entrada.
O dia mal tinha começado e eu já estava com a paciência no limite e olha que nem tinha feito nada ainda.
Entrei no prédio e fui direto pro banheiro pra dar uma ajeitada no cabelo, quando ouvi o salto de alguém ecoando atrás de mim.
— Olha só quem resolveu aparecer cedo hoje — a voz carregada de veneno de Danila cortou o ar.
Suspirei e me virei, já sabendo que vinha besteira. — E olha só quem já tá distribuindo veneno antes das oito.
Ela cruzou os braços, com aquele sorrisinho falso.
— Sabe, não é todo mundo que chega aqui com “moral” de andar com o Diogo. Acha que é mais do que um casinho?
Estranhei o fato dela já estar sabendo sobre Diogo e eu e como diabos ela descobriu isso? Respirei fundo, não vinha ao caso agora.
— Nossa, obrigada pela análise, FBI — respondi.
Ela inclinou a cabeça, falsa até o osso.
— Só digo pra tomar cuidado. O lugar de certas pessoas não é tão alto assim… e a queda pode ser feia.
Eu respirei fundo e sorri daquele jeito que antecede tragédia.
— Danila, vou te falar uma coisa pra ver se entra na sua cabeça dura: eu não preciso de homem nenhum pra estar onde eu tô. E se você acha que pode me intimidar com esse papinho de cobra mal treinada, você tá é perdendo tempo.
Ela arqueou a sobrancelha, fingindo que não se abalou.
— Só estou dando um conselho.
Cruzei os braços, fingindo que não estava ansiosa. — Você sabe que eu odeio suspense, né?
— Eu sei. — Ele sorriu de canto, aquele sorriso que me desmonta. — Por isso mesmo.
E lá fomos nós, o carro cortando o trânsito enquanto eu tentava adivinhar o que passava na cabeça dele.
Chegamos na cobertura e me sentei no sofá. Diogo tirou o casaco, ficou só na camiseta e se jogou ao meu lado. Eu aproveitei e encostei nele, olhando de canto.
— E o Caleb? — perguntei, meio receosa da resposta.
Ele suspirou. — Tá na mesma. Não fala muito… parece que tá preso na própria cabeça.
Fiquei em silêncio por um instante e depois o abracei, apertando um pouco, tentando passar conforto. Ele retribuiu o abraço e eu sorri contra o ombro dele.
Foi quando a minha barriga resolveu dar um show com um ronco alto, sem aviso. Fechei os olhos e suspirei.
— Esse estômago só me faz passar vergonha.
Ele soltou uma risada gostosa. — Então vem, vamos cozinhar alguma coisa.
— Ih, não… — fiz uma careta. — Eu sou um desastre na cozinha.
Ele se levantou e me puxou pela cintura, me fazendo levantar junto. — Ótimo, aí eu te ajudo. É bom que eu me distraio também.
Acabamos na cozinha, ele abrindo armários, pegando umas coisas.
— Você me diz o que pode ou não colocar. Por causa da sua saúde.
— Combinado. Mas já aviso que minha contribuição vai ser mais… estética do que prática. — Apoiei os cotovelos na bancada, observando ele cortar legumes.
Diogo pegou um pote de molho e tentou abrir, colocando força de mais e no segundo seguinte a tampa saltando e um jato vermelho voou direto na camisa dele.
Ele bufou, largando o pote na pia.
— Ótimo. — Segurou a barra da camisa e puxou pra cima, revelando aquele abdômen delicioso.
Eu congelei e então minha mão foi sozinha até ali, deslizando de leve.
— Isso aqui é até pecado, sabia? Um homem ser tão lindo assim…
Ele arqueou uma sobrancelha, segurando meu olhar.
— E você acha que falar isso vai me distrair?
Sorri de canto. — Se não distrair, pelo menos vai inflar o seu ego.
Ele riu, segurou minha mão contra o abdômen e me puxou mais perto.
— Continua falando, vai… quem sabe eu não te deixo provar o prato antes de ficar pronto.
E eu, sinceramente, já não sabia mais se tava ali pela comida ou pelo chef.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....