(Fernanda)
O carro do Diogo se afastou e, junto com ele, parecia que minha última chance de respirar em paz também ia embora.
Tentei me manter firme, mas a pressão no peito foi crescendo até que o choro me pegou de jeito. Segurei com força, mordendo o lábio, mas era como tentar segurar uma represa prestes a estourar.
De repente, um puxão brutal no meu cabelo me fez dar um grito abafado.
— Ai! — tropecei nos próprios pés enquanto era arrastada para trás. Antes que eu pudesse entender, fui lançada para longe, caindo de lado no chão áspero e quente.
Levantei o olhar, ainda ofegante e vi a figura dele. Meu tio.
— O que diabos você estava conversando com o Montenegro?! — ele gritou, e o tapa veio antes mesmo de eu poder responder. A ardência se espalhou pelo meu rosto.
— Eu… eu não falei nada — engoli seco, sentindo o gosto salgado do choro — Ele só veio saber… por que eu terminei com o Caleb.
Ele se inclinou, segurando meu rosto com força, os dedos quase cravando na minha pele.
— Vagabunda! Você vai voltar sim para aquele aleijadinho!
Meu corpo inteiro tremeu, mas a raiva foi maior.
— Não chama ele assim! — tentei empurrar a mão dele.
Outro tapa, mais forte dessa vez, me fez perder o equilíbrio e quase cair de novo.
Segurei o rosto, sentindo o calor e a dor, e deixei escapar entre dentes:
— Eu te odeio…
Ele me puxou pelo cabelo outra vez, fazendo meu pescoço doer.
— Para com isso, Fernanda… ou então você nunca mais vai ver a sua irmãzinha.
Um gelo correu pela minha espinha. Ele sabia exatamente onde me acertar e meu coração disparou de medo, mas a raiva ainda queimava e só percebi quando cuspi em seu rosto.
— Vai se ferrar! E não encosta um dedo nela!
Ele limpou o rosto devagar com os olhos cheios de ameaça.
— Tudo que você precisa fazer… é voltar para aquele moleque.
Fiquei ofegante, olhando pra ele sem conseguir responder.
— E garante a segurança da sua irmã. Só isso… Basta fazer o que eu mando.
As palavras dele ecoaram como um grilhão se fechando no meu pescoço. E eu sabia que ele não estava blefando.
Eu sabia que ia me arrepender, mas a pergunta escapou antes que eu conseguisse segurar.
— O que você estava conversando com aquele homem? — minha voz tremeu. — É ele quem estava por trás de tudo isso?
O foco não era mais o Caleb… era o Diogo. Aquilo que eu vi no olhar dos dois me deixou com um nó no estômago.
Meu tio estreitou os olhos, a impaciência estampada no rosto.
— Cala a boca e cuida da sua vida, Fernanda. Você não precisa saber de nada. Só faz o que eu mando.
Eu balancei a cabeça, já sentindo o peito arder.
— Não… eu não vou ajudar o vocês a machucar ninguém.
Ele se aproximou um passo, sua sombra caindo sobre mim.
— Então arca com as consequências se a sua irmã se machucar. — As palavras saíram frias, cortantes.
Meu corpo gelou na hora. As imagens da minha irmãzinha, assustada e sozinha naquele colégio interno horrível, invadiram minha cabeça. Eu travei, a respiração presa, e engoli qualquer resposta que pudesse vir.
Não falei mais nada. Apenas virei as costas e fui embora.
Chegando em casa, fui direto pro meu quarto. Fechei a porta, me joguei na cama e finalmente deixei as lágrimas caírem. O peso no meu coração parecia insuportável.
Peguei o celular e abri uma foto minha e do Caleb, rindo. A saudade bateu com força.
Eu nunca devia ter feito o que meu tio mandou. Sei que só me aproximei do Caleb porque tinha medo do que meu tio faria com a minha irmã. Mas ele… ele me tratou como ninguém nunca tinha tratado.
E eu me apaixonei.
Mais do que isso: amei de um jeito profundo, verdadeiro. Desde que meus pais morreram, ninguém cuidou de mim daquele jeito e ele foi o único.
Respirei fundo, passando a mão pelo rosto molhado de lágrimas. Caleb e minha irmã… eram as duas pessoas mais importantes pra mim. E talvez fosse a hora de fazer o que eu devia ter feito desde o começo: falar com o Diogo.
Ele tinha dinheiro, influência e talvez… só talvez… pudesse realmente manter minha irmã segura.
(Diogo)
Cheguei na cobertura exausto, mas minha mente não parava de girar. Cada detalhe daquela última semana pesava no meu peito: Caleb ainda abatido, Fernanda agindo de maneira estranha, o silêncio inquietante de Enrique… tudo parecia um nó que eu precisava desfazer.
Sentei-me no sofá, encarando a cidade lá embaixo, e respirei fundo, tentando organizar as ideias.
Meu celular vibrou e vi que era Valter. Atendi rapidamente.
— Diogo — disse ele, a voz firme, mas com aquele tom que me deixou imediatamente em alerta.
Ele bufou, irritado, e deu um passo à frente.
— Vim falar com minha irmã. E você é… quem exatamente?
Me coloquei à frente dele, bloqueando o caminho.
— Eu sou… — comecei, quando de repente Alice apareceu na porta.
Seus olhos arregalaram ao ver a cena. Mas então, eles focaram no irmão dela e, imediatamente, a raiva tomou conta.
— O que você está fazendo aqui?! — ela perguntou, a voz firme, mas com preocupação.
— Venho atrás de dinheiro para ajudar o nosso pai— disse o irmão dela, dramático. — Ele está morrendo e eu já disse que a culpa vai ser sua.
Franzi o cenho, sentindo meu estômago apertar. Sabia que o pai deles já estava sendo cuidado no hospital, mas aquele era um segredo que Alice não podia descobrir. Fiquei parado, observando o irmão dela se fazer de coitado, falando como se tudo fosse urgente e desesperador.
— Alice, você precisa nos ajudar! — ele insistiu. — Eu sei que você está trabalhando numa boa empresa agora, deve estar ganhando mais…
Alice respirou fundo, fechando os olhos por um instante.
— Eu vou mandar uma última quantia, mas depois disso vou abrir um BO contra vocês. Não quero mais ver a cara de nenhum de vocês.
Senti meu sangue ferver. Eu não podia permitir aquilo.
— Alice, você não vai mandar nada — disse, firme.
Olhei para o irmão dela.
— Sai daqui — mandei, minha voz dura, sem espaço para negociação.
Ele tentou bater de frente, mas eu não cedi.
— Cai fora! Ou eu chamo a polícia e garanto que nem você veja seu pai por anos. — gritei, minha raiva transbordando.
O cara bufou, soltando as últimas palavras encarando Alice.
— Você vai pagar por isso!
E então ele saiu, sumindo pela rua.
Virei-me para Alice e a puxei para um abraço apertado, sentindo o alívio e a tensão se misturarem. Beijei sua testa com força, como se quisesse transmitir toda a proteção que sentia por ela.
— Está tudo bem agora — sussurrei. — Eu não deixo ninguém te machucar.
Ela suspirou contra meu peito, ainda tensa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....