Valter cruzou os braços e se aproximou, ainda encarando o homem a nossa frente.
— Esse aí é o Luiz. Ele estava arrumando celulares e chips pro Enrique. É o desgraçado que tava dificultando a gente de rastrear os passos dele. Já tem passagem na polícia por invadir sistema de empresa grande... dizem que é um gênio da internet.
Me aproximei devagar. Ele estava com o olhar baixo, o rosto suado, respirando rápido.
Com raiva, arranquei o pano de sua boca.
— O que você sabe sobre o Enrique?
Ele ficou em silêncio, olhando pra mim como se não devesse nada. Respirei fundo, tentando segurar a paciência, e olhei pra Valter.
— Começa o interrogatório.
Valter não pensou duas vezes, se aproximou e acertou o primeiro soco no rosto do cara. O estalo ecoou na sala e o sangue escorreu pela boca dele, que cuspiu no chão. Luiz ainda assim ficou calado.
Valter se inclinou sobre ele e eu sabia que estava tentando se segurar.
— O que você sabe sobre o Enrique? Fala logo, desgraçado.
Nada. Só silêncio e um olhar teimoso.
Senti o sangue ferver e perdi a paciência. Encarei Valter, que apenas fez um sinal com a cabeça e dois dos homens dele se aproximaram sem dar tempo de reação, eles começaram a bater em Luiz sem piedade. O som dos socos e dos gemidos dele encheu o lugar.
— Parem, parem! — ele gritou, chorando de dor e medo. — Eu falo, eu falo!
Me aproximei novamente.
— Então fala.
Luiz respirava com dificuldade, cuspindo sangue entre as palavras:
— Esse Enrique... ele me procurou faz uns meses... ofereceu uma grana preta pra eu tentar hackear a sua empresa. Eu tentei, mas não consegui... e ele me castigou por isso. Depois disso, eu só... só limpava os rastros dele, mantinha tudo apagado. É só isso, eu juro.
Antes que eu respondesse, Valter acertou outro soco em seu rosto, fazendo a cabeça do cara virar pro lado.
— É só isso o cacete! — Valter rosnou. — Tá escondendo coisa.
Luiz se tremia todo, chorando, e me olhou desesperado.
— Eu tô dizendo a verdade, é tudo que eu sei!
Segurei a gola da camisa dele e aproximei meu rosto, encarando seus olhos arregalados.
— Tem certeza mesmo que não sabe de mais nada? Porque eu sou um homem bom, Luiz. Posso muito bem mandar você pra outro país, te dar uma chance de sumir e sobreviver... ou posso simplesmente deixar você nas mãos de um amigo meu, e esse sim não teria um pingo de piedade em te matar.
Ele prendeu a respiração, como se a alma estivesse prestes a escapar do corpo.
— Eu... eu ouvi ele falar uma vez pelo telefone, ele não me viu... — a voz dele saiu trêmula. — De uma casa... em Céu Azul. Ele disse que ia pra lá no sábado. Foi só isso!
Soltei a camisa dele com força, franzindo o cenho. Céu Azul. Aquilo caiu como um soco no meu estômago. Não era a mesma cidade onde Fernanda morava com o tio?
Olhei pra Valter, o peito pesado com aquele pressentimento ruim.
— Cuida dele.
Sem esperar resposta, saí da sala e voltei pro carro. No caminho, meu coração estava acelerado, misturado entre raiva, medo e a certeza de que alguma coisa grande estava prestes a acontecer.
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(Enrique)
A sala estava quase escura, só a luz fraca da tela do notebook iluminava o canto onde eu estava sentado. O cheiro de comida velha me enojava e peguei o prato frio o jogando contra a parede.
— Merda! — rosnei, apertando os punhos. — Já devem ter pegado aquele idiota do Luiz... desgraçado, com certeza abriu o bico.
Respirei fundo, passando a mão pelo rosto suado. A raiva queimava dentro de mim como se fosse fogo. Eu precisava ir até Céu Azul. O Amadeu estava ficando perigoso demais, podia falar o que não devia, e eu não podia deixar isso acontecer. Ele ia abrir a boca, eu sabia. E antes que isso acontecesse, eu mesmo ia silenciá-lo.
Um sorriso torto escapou dos meus lábios.
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(Diogo)
Estacionei o carro em frente à mansão e respirei fundo antes de sair. O dia estava claro, mas meu peito parecia pesado, como se eu já pressentisse que algo não estava certo.
Entrei pela porta e encontrei minha mãe na sala, sentada perto da janela com o olhar distante.
— Olá, mãe — disse, me aproximando e beijando sua bochecha brevemente.
Ela sorriu, mas era um sorriso meio triste, daqueles que tentam esconder preocupações.
— Oi, filho... — respondeu com a voz baixa.
— E o Caleb? — perguntei, tentando soar calmo, mesmo sentindo um nó na garganta.
— Ele está na mesma, querido. Logo as aulas voltam, mas não sei se ele vai querer retornar à faculdade... — disse ela, suspirando.
Abracei minha mãe com força, sentindo a fragilidade dela por trás daquela postura sempre tão firme.
— Vai dar tudo certo, mãe. Eu prometo. — disse, tentando transmitir confiança, mesmo que meu coração estivesse acelerado.
Ela se afastou um pouco e olhou para mim, séria, mas com aquele carinho que só mães têm.
— Domingo vou à igreja... pedir a Deus para ajudar meu filho. — falou, com uma ponta de tristeza na voz.
Suspirei, sentindo a tensão apertar meu peito.
— Mãe... leva os seguranças. — falei, firme, tentando que ela entendesse a urgência da minha preocupação.
Ela me olhou desconfiada, franzindo levemente o cenho, mas depois assentiu.
— Está bem, meu filho... mesmo achando que não preciso, farei isso. — disse, decidida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....