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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 571

~ NICOLÒ ~

Bella finalmente tinha adormecido depois de três histórias, dois copos de água e incontáveis perguntas sobre quando a tia Bia voltaria.

Desci as escadas devagar, sentindo o peso do dia inteiro nos meus ombros. A pousada estava silenciosa, os hóspedes já recolhidos em seus quartos. Apenas algumas luzes fracas ainda acesas no corredor e na recepção.

Fui direto para a cozinha, precisando de algo quente para afastar o frio que parecia ter se instalado nos meus ossos e que não tinha nada a ver com a temperatura lá fora.

Paola estava lá, sentada à mesa da cozinha com uma xícara de chá entre as mãos. Levantou os olhos quando entrei, me estudando com aquela forma que só alguém que te conhece a vida inteira consegue.

— Não consegue dormir também? — perguntou.

— Bella estava agitada — respondi, indo até o fogão onde a chaleira ainda tinha água quente. Peguei uma xícara, coloquei um sachê de camomila e despejei a água fumegante. — Ficou perguntando sobre a Bianca a noite toda.

— E você? — Paola perguntou quando me sentei à mesa de frente para ela. — Também está pensando na Bianca?

Não respondi. Apenas tomei um gole do chá que estava quente demais e queimou minha língua.

Paola suspirou.

— Você parece preocupado. E não é só pela Bella ou pela Bianca, é?

Girei a xícara entre as mãos, observando o vapor subir em espirais preguiçosas.

— Um credor esteve aqui — admiti finalmente. — Do banco. Credito Toscano.

Vi Paola se endurecer na cadeira.

— E?

— Quarenta e dois mil euros — disse, e as palavras saíram pesadas como pedras. — Estamos atrasados em três pagamentos. Eles deram sessenta dias para regularizar ou apresentar um plano de pagamento viável. Se não conseguirmos...

Não precisei terminar. Paola sabia exatamente o que aconteceria.

— Merda — ela sussurrou.

— É — concordei. — Mas não comenta nada com minha mãe, ok? Não quero preocupá-la ainda. Não até eu ter pelo menos tentado resolver.

Paola concordou com a cabeça, seus dedos apertando a xícara com mais força.

— O que você vai fazer?

Balancei a cabeça negativamente, como se o movimento pudesse sacudir alguma solução mágica para fora do meu cérebro.

— O de sempre — respondi com um suspiro cansado. — Vender o que puder ser vendido. Talvez fazer uma promoção agressiva dos vinhos, tentar nos livrarmos dos estoques todos de uma vez. Se conseguir vender tudo, talvez chegue em vinte mil. Talvez.

— Nico — disse Paola, sua voz gentil mas firme — vender algumas coisas só funcionaria se fosse a própria propriedade.

— Isso não está nem em cogitação — interrompi, minha voz saindo mais dura do que pretendia. — Não vou vender.

Silêncio se instalou entre nós por um longo momento. Apenas o som do vento lá fora e o tique-taque do relógio na parede.

— O quê?

— Bianca — repetiu Paola, sua voz ganhando convicção agora. — Ela não é... como é mesmo que ela se apresentou? Consultora de marketing digital especializada em turismo rural?

— É — confirmei lentamente, sem entender aonde ela queria chegar.

— Então pronto — disse Paola, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Ela é exatamente a pessoa certa para nos salvar. É literalmente o trabalho dela. Ajudar lugares como o nosso a atrair mais clientes, a se tornarem mais lucrativos.

Fiquei olhando para Paola, processando aquilo.

Bianca.

Peguei minha xícara de chá, girando-a entre as mãos enquanto considerava a ideia. O líquido já estava morno, quase frio, mas tomei um gole mesmo assim apenas para ter algo para fazer.

Paola tinha razão sobre uma coisa: continuar fazendo as mesmas coisas que não funcionavam era insanidade. Einstein tinha dito isso, ou algo parecido. Fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes era a definição de loucura.

Precisava tentar algo novo. Algo diferente.

E talvez isso também me desse uma boa desculpa para me reaproximar de Bianca.

Coloquei a xícara de volta na mesa com um som suave de cerâmica contra madeira.

— É — disse finalmente, olhando para Paola. — Talvez possa funcionar.

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