~ BIANCA ~
O salão era tranquilo para um sábado de manhã. Nada daqueles lugares lotados e barulhentos cheios de gente esperando vez. Este era o tipo de estabelecimento que exigia agendamento com semanas de antecedência, mas não para uma Bellucci, claro.
Eu estava reclinada em uma cadeira confortável, uma touca térmica no cabelo enquanto a máscara de tratamento fazia seu trabalho reparador depois do desastre da noite anterior. Mia estava na cadeira ao lado, também esperando seu próprio tratamento, rolando o feed com aquela concentração que significava que estava vendo fofocas ou stalkeando alguém.
A música ambiente era suave, quase imperceptível. Apenas nós duas e mais duas clientes no salão inteiro, cada uma em sua própria estação privativa separada por divisórias elegantes de vidro fosco.
— E você desistiu de ir? — perguntou Mia de repente, sem tirar os olhos da tela do celular, como se estivéssemos no meio de uma conversa quando na verdade tínhamos ficado em silêncio pelos últimos minutos.
— É claro que desisti! — respondi, ajustando a toalha macia ao redor dos ombros. — Eu estava destruída, Mia. Coberta de lama da cabeça aos pés. Encharcada. Congelando. Não estava exatamente em condições de aparecer na porta de alguém às três da manhã.
Mia finalmente levantou os olhos do celular, me estudando com uma expressão de metade diversão, metade preocupação genuína.
— Dante ainda está reclamando de como você sujou o carro dele inteiro — comentou com um pequeno sorriso.
— Ele vai sobreviver — revirei os olhos. — De qualquer forma — continuei, fechando meus próprios olhos e tentando relaxar enquanto sentia o calor do tratamento penetrando no couro cabeludo — não sei nem de onde tirei a ideia maluca de sair dirigindo para Montepulciano no meio da madrugada. Sozinha. Sem avisar ninguém.
Balancei a cabeça levemente, tomando cuidado para não deslocar a touca.
— Não bastou ficar presa na neve semanas atrás? — Mia perguntou com uma risada. — Aparentemente você e o clima da Toscana tem uma relação complicada. Esse estilo aventureira não combina com você. Nunca combinou.
— Em minha defesa, — comecei — não estava chovendo quando eu decidi sair de casa.
— Talvez. Mas isso não torna a sua decisão menos impulsiva e irracional.
Fiquei em silêncio por um momento, ouvindo o som suave da música ambiente e o murmúrio distante de conversas das outras clientes.
— Eu sei — admiti finalmente, minha voz saindo mais baixa — mas a conversa mexeu comigo.
— Que conversa? — perguntou Mia, franzindo a testa.
— Exatamente! — exclamei, abrindo os olhos e me virando para encará-la. — A falta de conversa!
Me corrigi, tentando articular melhor o que estava sentindo.
— É como se... depois de tudo que passamos juntos, não tivéssemos nada em comum para dizer um para o outro além de trocar uns memes aleatórios de vez em quando. Tipo, literalmente a nossa comunicação dos últimos trinta dias foi ele mandando fotos da Bella e eu respondendo com emojis de coração.
Mia me olhou por um longo momento, sua expressão suavizando em algo que parecia quase pena.
— E você gosta de quê? — perguntou Mia, sua voz ainda gentil mas implacável. — Roupas de grife que você nem pensa duas vezes antes de comprar. Jantares em restaurantes estrelados. Viagens internacionais de negócios em primeira classe. Spas como este onde estamos agora que cobram trezentos euros por uma hidratação.
Não pude discordar. Porque tudo que ela disse era verdade. Era minha vida. Era quem eu era.
— De qualquer forma — disse, tentando soar mais confiante do que me sentia — não dizem que os opostos se atraem? Que diferenças podem ser complementares ao invés de divisivas?
Mia riu. Não foi uma risada cruel ou zombeteira. Foi genuína, quase carinhosa.
— É — concordou ela, sua voz suavizando. — Talvez. Talvez os opostos realmente se atraiam e possam fazer funcionar.
Fez uma pausa, me olhando diretamente nos olhos.
— Mas em relacionamentos assim, um dos dois sempre tem que acabar cedendo mais. Fazendo mais sacrifícios. Mudando mais quem é fundamentalmente.
Outra pausa, mais pesada desta vez.
— Vai ser você?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...